Gênero: Drama
Direção: William Wyler
Roteiro: Karl Tunberg, Lew Wallace
Elenco: André Morell, Cathy O’Donnell, Charlton Heston, Finlay Currie, Frank Thring, George Relph, Haya Harareet, Hugh Griffith, Jack Hawkins, Martha Scott, Sam Jaffe, Stephen Boyd, Terence Longdon
Produção: Sam Zimbalist
Fotografia: Robert Surtees
Trilha Sonora: Miklós Rózsa
Duração: 212 min.
Ano: 1959
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Sinopse: Em Jerusalem, na época de Cristo, o aristocrata judeu Judah Ben-Hur tem um grave desentendimento com seu amigo de infância, o tribuno romano Messala. Por causa deste desentendimento, Ben-Hur é acusado injustamente de um um crime e é enviado para trabalhar como escravo em um barco de guerra romano. Mas tudo muda novamente, e Ben-Hur tem a chance de reconquistar sua família, sua honra, e ter sua vingança.
Nota Razão de Aspecto:
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Esta semana temos a estréia de Ben-Hur, o quarto filme baseado no romance “Ben-Hur: Uma história de Cristo”, escrito por Lew Wallace em 1880. Apesar de ter sido um best-seller na sua época, a maioria das pessoas ao ouvir “Ben-Hur” não vai lembrar do livro, nem dos dois filmes mudos baseados nele, mas sim do filme de 1959, que durante décadas foi o recordista de Oscars (11 no total) e entrou para a história do cinema. Então nada mais justo do que o Razão de Aspecto iniciar a preparativa para o lançamento do novo filme se debruçando sobre este clássico.
Mas esta é uma tarefa gigantesca, em todos os aspectos. Para começar, são 3 horas e 42 minutos de filme. Além disto, este é um dos filmes mais vistos, revistos, e analisados da história do cinema. Não tenho a pretensão de levantar uma nova luz, ou descobrir um novo ângulo, mas apenas aproveitar o lançamento do filme para revisitar este clássico.
A primeira vez que vi Ben-Hur faz mais de 20 anos, e não, não sou tão velho assim, então eu era um bocado garoto na época. O filme tinha me causado forte impressão, em especial a famosa cena da corrida de cavalos. Mas, talvez pela minha juventude, talvez pelo tempo, minha lembrança era de um filme um tanto “datado”, com um ritmo meio arrastado, uma estética mais difícil de lidar para o público de hoje. Hoje revi Ben-Hur e revi meus conceitos totalmente. Sim, o filme tem mais de 50 anos, e continua sendo simplesmente épico.
Tudo no filme é grandioso. O filme custou enormes (para época) 15 mihões de dólares, sendo o filme mais caro produzido até então, e faturou 75 milhões, salvando a MGM da falência. Envolveu 15 mil extras, 8 mil figurinos, em um estúdio de 18 acres nos famosos estúdios Cinecittá, em Roma. Uma produção realmente épica. E como resultado, o maior número de Oscars na história, junto com “Titanic” e “O Senhor dos anéis: o retorno do rei”.
A produção do filme ainda é notável até para os padrões de hoje, com cenários deslumbrantes, figurinos primorosos, efeitos sonoros e trilha impecáveis. E mesmo em efeitos visuais o filme não deixa muito a desejar, mas aí é claro que 50 anos de tecnologia cobram seu tributo. Contudo, mesmo sem nenhuma computação ou outras técnicas modernas de efeitos visuais, a cena da corrida de carruagens continua sendo de tirar o fôlego.
As atuações são muito, muito convincentes. Charlton Helston (de Planeta dos Macacos) fez o papel de sua vida neste filme no papel que dá o título ao filme, e Jack Hawkins (Lawrence da Arábia) interpretando Messala lhe serve de amigo/antagonista. Os dois estão com uma ótima química, fazendo uma boa dualidade entre amigos/inimigos. Helston merece um comentário à parte devido ao tanto que ele consegue interpretar com olhares silenciosos (e ajuda da trilha), merecendo assim seu Oscar de melhor ator.
Hugh Griffith (Oliver!) faz um extremamente carismático Sheik Ilderim, personagem humorístico, mas não hilário, e delicioso. Esta atuação lhe deu o Oscar de ator coadjuvante. Apesar disto, este personagem pode incomodar muitos espectadores atuais, pois é um caso de uso da maquiagem blackface, onde um ator branco leva uma maquiagem para fazer um personagem negro, ou no caso, árabe. Mas lembrem-se, meus caros, estamos em 1959 e este recurso não era considerado ofensivo ou racista na época.
A historia é um épico quase bíblico, que acontece simultaneamente com a vida de Jesus. O filme opta, de uma maneira bem inteligente, por não mostrar o personagem Jesus em quase nenhum momento. Em algumas cenas um ator aparece de costas e interage com os personagens principais brevemente, sempre sem diálogo. Mas o mais importante não é o que Jesus faz no filme, e sim como os personagens reagem a ele, com olhares e alterações psicológicas que impactam diretamente na trama da história. Apesar da história bíblica ser quase um pano de fundo, é um filme profundamente cristão, e o arco de quase todos os personagens tem uma progressão e um destino final ligado a isto.  Apesar disto, com excessão dos minutos iniciais e finais, a trama é forte e dramática o suficiente para envolver o público independente do sentimento religioso.
Como curiosidades do filme, este filme possui uma Abertura e um Intervalo/Entreato, cenas de alguns minutos com uma imagem parada e trilha sonora, recurso relativamente comum no passado, e em desuso hoje. A Abertura servia para apresentar a trilha sonora e avisar ao público para sentar em suas cadeira, enquanto o Intervalo/Entreato servia como descanso ao público e para a troca de rolos. É também uma herança curiosa do teatro. Segunda curiosidade: o famoso leão da MGM não ruge no início do filme, pois os produtores consideraram o rugido inadequado ao clima da cena inicial, o nascimento de Cristo.
Então, diante deste épico monumental, o que podemos esperar do filme que estreia esta semana? É o quarto filme baseado no mesmo romance, e sabemos que a história tem potencial para se fazer excelentes filmes. Contudo o sucesso e a qualidade do filme de 1959 é um fantasma a exorcizar. Será interessante ver o quanto ele vai tentar fazer referência ao clássico, e o quanto irá tentar inovar. O segundo problema é ver qual a solução o filme trará para a questão da religiosidade. A platéia de hoje é bastante mais secular que a de 1959, e filmes bíblicos não costumam mais atrair o mesmo público de antes, mas ao mesmo tempo retirar a religiosidade seria retirar a força motriz que faz os personagens avançarem em seus conflitos psicológicos. Agora é esperar para ver.
por Aniello Greco

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