Gênero: Animação
Direção: Gabriel Riva Palacio Alatriste
Roteiro: Gabriel Riva Palacio Alatriste
Elenco: Angélica Vale, Bruno Bichir, Carlos Espejel, Maite Perroni, Omar Chaparro, Sergio Sendel
Produção: Ignacio Martínez Casares
Fotografia: Aldo Cruz
Montador: Daniel Othón M. Gallardo
Trilha Sonora: Zacarías M. de la Riva
Duração: 98 min.
Ano: 2015
País: México
Cor: Colorido
Estreia: 11/08/2016 (Brasil)
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Simka Entertainment
Sinopse: Toto é um jovem galo franzino que sonha se transformar em um lutador de uma rinha de galos. Seu sonho se transforma em aventura quando o sítio onde mora entra em falência, e apostar tudo em uma luta contra o campeão Bankivoide se torna a única chance de defender seu lar.
Nota Razão de Aspecto
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“Cantando de Galo” é a pior animação que vi nos últimos anos. Alguém deveria avisar os produtores do filme que rinha de galo não é exatamente o tema mais vendável para uma história infantil. Ok, tem a questão do choque cultural, no México não se considera rinha de galos da mesma forma que aqui, e além disto o filme usa de uma linguagem visual onde a rinha de galos é uma espécie de boxe acrobático. Eu já disse rinha de galos?
Mas não é só a temática de gosto questionável que é um problema para o filme. Tudo é um problema. A começar pelo título original. “Un gallo con muchos huevos” seria traduzido literalmente como “Um galo com muitos ovos”, o que é um trocadilho claro com testículos. Eu preferiria o termo “un gallo boludo” (em castelhano seria algo como um galo imbecil), mas de qualquer forma já notamos no título uma certa incoerência com a censura livre. Nada catastrófico, mas esta indefinição de qual faixa etária seria o alvo do filme permeia o filme como um todo.
Durante todo o filme temos diversas referências a outras obras, entre elas, “O poderoso chefão”, “Karatê Kid”, “Rocky o lutador”, etc. Referências que um público muito infantil teria dificuldade de apreciar. E vale ressaltar que eu adoro easter eggs e referências, mas elas devem estar minimamente inseridas na narrativa para não ser absolutamente forçadas. Ao mesmo tempo, um enorme número de piadas são, além de simplesmente bobas, explicadas em detalhes, depois da punch line. Isto talvez tenha o intuito de se tornar acessível a um público mais infantil, mas por mim isto é subestimar a inteligência de nossas crianças, e é simplesmente insuportável para alguém com mais de 14 anos.
A trama central do filme, além de absolutamente previsível, poderia ser contada em 15 minutos. Então para dar volume e tempo ao filme, adicionou-se dezenas de subtramas, todas elas não empolgantes e muitas sem relação com nada. O romance não é fofo, a vozinha gagá que pode perder o sítio não causa pena, o ovo de pato que não aceita a morte do pai não é engraçado, etc.
Visualmente a qualidade da animação é inconstante. Há cenas muito bem desenhadas e agradáveis, mas a maior parte do filme parece ter sido terminada as pressas, com cenários simplificados. Em especial os diversos ovos são pouco expressivos. A trilha sonora não ajuda, nos melhores momentos é clichê, nos piores parece amadora, em especial nos momentos de musical, onde os personagens cantam. A personagem que era para ser sexy consegue gerar constrangimento ao cantar.
A dublagem nacional piorou o filme. Muitos erros de tradução são notáveis, as vozes de muitos personagens ficaram estridentes e histriônicas. Claramente percebemos que são adultos tentando fazer vozes infantis em falsete, e para tentar serem engraçados eles falam o tempo todo acelerado e gritando. Como curiosidade, o alarme de incêndio disparou algumas vezes, acidentalmente, na seção onde assisti, e eu achei o som menos irritante que algumas das vozes.
E ainda temos algumas incongruências na trama central, entre elas a tentativa de glorificar uma rinha de galo, ao mesmo tempo que mostra que esta rinha é coordenada de forma clandestina por “o ovo padrinho” (uma referência esquisitíssima ao Poderoso Chefão) e leva fazendeiros a falência. Temos também a jornada do galo Toto, que para se tornar um lutador tem que descobrir “o seu golpe”, com base no seu canto, e ao mesmo tempo a fazer coisas como um pato, coisas que um galo jamais faria.
E todos os clichês de animações estão presentes. Temos uma imitação do Cid de “A era do gelo”, só que sem graça alguma, temos os momentos musicais, constrangedores, temos o clip com todos dançando no final. E agora normalmente eu avisaria para você ficar após os créditos, mas minha sugestão sincera é que não entre na sala de projeção.
Vale comentar que uma criança que estava na sessão aplaudiu no final. Mas não escutei nenhuma risada, de adulto ou criança, durante a projeção. Vá por conta e risco.
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