Gênero: Aventura

Direção: David Ayer
Roteiro: David Ayer
Elenco:  Adam Beach, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Alex Meraz, Alyssa Veniece, Amanda Brugel, Ariane Bellamar, Ben Affleck, Brianna Goldie, Cara Delevingne, Common, Corina Calderon, Darryl Quon, David Harbour, Ike Barinholtz, Jai Courtney, Jared Leto, Jay Hernandez, Jim Parrack, Joel Kinnaman, Karen Fukuhara, Kevin Hanchard, Margot Robbie, Michael Murray, Sabine Mondestin, Scott Eastwood, Viola Davis, Will Smith
Produção: Charles Roven, Richard Suckle
Fotografia: Roman Vasyanov
Montador: John Gilroy
Duração: 123 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 04/08/2016 (Brasil)
Distribuidora: Warner Bros
Estúdio: Atlas Entertainment / DC Entertainment / Lin Pictures
Classificação: 12 anos
Informação complementar: Baseado nos personagens da DC Comics.
Sinopse: Grupo de supervilões são coagidos pelo governo americano a trabalhar em conjunto contra ameaças meta-humanas, em troca de uma redução em suas penas.

Nota Razão de Aspecto
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Este é um filme que eu estava aguardando com ansiedade. Em meio a tantos filmes baseados em quadrinhos, este tinha o potencial de ser um filme mais anárquico, violento, menos maniqueísta. Não que isto me incomode nas histórias e roteiros tradicionais dos filmes de super-heróis, mas um pouco de diversidade sempre é bem vinda. Como os protagonistas do filme são supervilões, temos no mínimo uma proposta diferente do comum. E não era apenas eu que estava ansioso, o hype gerado ao redor do filme foi imenso, os trailers rodaram a internet e muito antes do filme ser lançado todos já comentavam sobre os personagens, escolha dos atores, etc.
Especialmente dois personagens foram muito comentados: a Arlequina, interpretada por Margot Robbie (de “O lobo de Wall Street”) e o Coringa de Jared Leto (de “Réquiem para um sonho”). 
Então, depois dos controversos “O homem de aço” e “Batman vs Super-homem” a DC finalmente conseguiu produzir um filme capaz de agradar a crítica e o público, satisfazer os fãs e cumprir com as expectativas? A resposta é sim e não.
É sem dúvida o melhor filme deste novo projeto da DC, de fazer algo similar ao “Projeto Vingadores” da Marvel. O filme tem um belo ritmo, boas atuações, personagens interessantes e cenas de ação envolventes a ponto de mal percebermos que ficamos duas horas no cinema.
Ao mesmo tempo o roteiro é problemático. O filme opta, de modo preguiçoso, a apresentar os diversos super-vilões de forma burocrática, como uma listagem de arquivos de polícia, sem dar tempo nem dimensão para todos. Com a exceção da Arlequina, do Pistoleiro (Will Smith, de “Eu sou a lenda”), e até certo ponto de Rick Flag (Joel Kinnaman, da série “The killing”), os demais membros da equipe são meio que jogados na trama sem muito cuidado, o que, principalmente para quem não conhece os quadrinhos, pode gerar um pouco de dificuldade em se interessar pelo destino e emoções de cada um.  A motivação de muitos dos membros do esquadrão se resume a não ser morto por um explosivo implantado em seus pescoços, algo meio forçado, meio “deus ex-machina”. Isto se torna especialmente complicado no terceiro ato do filme, onde alguns vilões começam a fazer atos não muito condizentes com a sua vilania, por assim dizer. Este é o maior desperdício do filme, a possibilidade de dubiedade moral que o tema permitia é pouco ou nada trabalhada.

Além dos protagonistas, temos duas antagonistas: Amanda Walker (Viola Davis, de “Os Suspeitos), que faz a agente de inteligência que cria o conceito e organiza a operação de juntar os supervilões, e “A Bruxa” (Cara Delevingne, de “Anna Karenina”), uma entidade mágica e de poderes quase divinos, que gera o principal obstáculo da trama. Em Amanda Walker temos uma verdadeira vilã, que apreciamos e odiamos, nos envolvendo com as suas ações, reagindo a elas. Já “A Bruxa” é um dos pontos mais fracos do filme, um personagem artificialmente poderoso e “sem sal”, que não conseguimos nem ter medo, ou raiva, ou mesmo se importar com seus atos. O que é um grande problema, pois seus atos são o motor principal da trama.

Note que não citei o Coringa de Leto. Ao contrário do que alguns podem pensar, o Coringa é um personagem menor no filme. Ainda aparece mais que o Batman, que também faz uma ponta, mas é um personagem dramaticamente periférico ao universo da Arlequina.
O ponto forte do filme são as atuações. Will Smith e Joel Kinnaman estão com uma boa química, fazendo bem as diferenças morais entre um soldado e um assassino profissional. Viola Davis também esta muito convincente como uma espiã do governo que é capaz de tudo para atingir seus objetivos. 
Mas a Arlequina de Margot  Robbie é quem rouba os holofotes. Seu personagem é o mais conhecido pelo público e o mais carismático dentro do elenco principal. Suas roupas são chamativas e escolhidas para realçar suas curvas. Mas nada disto adiantaria sem uma atriz que conseguisse provocar riso, pena e medo de sua sociopatia ao mesmo tempo. A “feiúra interior”, a loucura e sociopatia, são convincentes a ponto de sua hipersexualização visual causar mais incômodo que qualquer outra coisa. Infelizmente isto ficou claro desde os trailers, Margot Robbie já tinha cativado o público antes da estréia, e há alguns momentos em que parece que escolheu-se dar a Arlequina um destaque maior que o necessário e conveniente com o intuito de agradar o público. Mas de qualquer forma é uma atuação memorável.

Apesar de todo o talento de Jared Leto, Heath Ledger continua sendo o melhor Coringa do cinema. Sua atuação em ” Batman O cavaleiro das trevas” foi tão memorável que parece que optaram por fazer um Coringa completamente oposto neste filme, o mais diferente possível. E o visual e postura “rapper gangster” ficou bem interessante, mas as vezes meio artificial. Acho o Coringa um dos melhores vilões da ficção atual, mas neste filme ficamos na dúvida se queremos mais cenas com ele ou menos. Há momentos de brilhantismo, e momentos de artificialidade.
E não podemos deixar de ver que a DC não consegue fazer as ligações entre seus filmes de uma forma tão orgânica e leve quanto a Marvel. As citações a “Batman vs Superhomem” e aos próximos filmes a serem lançados foram meio que forçadas, apesar das aparições do Batman e Flash sempre agradar o fã de quadrinho que sou.
E sim, como acontece em muitos filmes recentes de super-heróis, temos cenas de destruição e demolição em massa, levando de forma bem literal o termo “blockbuster”. Mas exceto pela resolução um tanto artificial de um dos combates, as cenas de ação são tensas, envolventes e acrescentam a narrativa.
No geral, um filme de ação e fantasia competente, com boas atuações, personagens interessantes e roteiro com alguns clichês e alguns buracos. Mas nada que vá estragar sua diversão. E, como você já deve estar acostumado, fique após os créditos.

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