Gênero: Aventura
Direção: David Yates
Roteiro: Adam Cozad, Craig Brewer, Stuart Beattie
Elenco: Alexander Skarsgård, Christoph Waltz, Samuel L. Jackson, Margot Robbie, Djimon Hounsou, Simon Russell Beale, Jim Broadbent, Ben Chaplin, Adam Ganne, Alex Ferns,  Alicia Woodhouse, Antony Acheampong, Attila G. Kerekes, Bentley Kalu, Cali Nelle, Casper Crump, Charles Babalola, Christian Stevens, David Burge, Ella Purnell, Guy Potter, Lamin Tamba, Lasco Atkins, Laurence Spellman, Liv Hansen, Mac Pietowski, Madeleine Worrall, Mark Preston, Matt Cross, Osy Ikhile, Richard Banks, Roger Evans, Rory J. Saper, Stephen Parker, Teresa Churcher
Produção: Alan Riche, David Barron, David Yates, Jerry Weintraub, Mike Richardson
Fotografia: Henry Braham
Montador: Mark Day
Trilha Sonora: Mario Grigorov
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 21/07/2016 (Brasil)
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: Dark Horse Entertainment / Jerry Weintraub Productions / Riche Productions / Village Roadshow Pictures
 Nota do Razão de Aspecto:
Criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs, Tarzan é, junto a Sherlock Holmes, possivelmente o personagem que recebeu o maior número de adaptações para outros meios, além da literatura. A temática do retorno a uma natureza mais “pura” do que a da sociedade em fase de urbanização, que já havia sido caro aos Românticos do século XIX, teve em “Tarzan dos Macacos”, livro de Burroughs publicado em 1912, exemplo extremo de protagonista honrado e heroico que se integra melhor à selva e à savana africana do que às ruas da capital do grande império da época.

Entre essas centenas (sim, centenas!) de versões, a franquia de filmes estrelada pelo campeão olímpico de natação Johnny Weissmuller nas décadas de 1930 e 1940 consolidou os marcos narrativos do personagem, como a tanguinha de pele, o grito semi-humano característico e a parceria da macaca Cheeta. Modernamente, duas das versões que mais tiveram destaque foram “Greystoke”(1984), estrelado por Christopher Lambert, com uma abordagem mais realista sobre um homem criado por macacos; e a simpática animação da Disney, Tarzan (1999), que me fez pensar em Phil Collins durante parte da exibição da mais nova adaptação do personagem:  “A lenda de Tarzan”(2016).
O filme é dirigido por David Yates (responsável, entre outros bons filmes, pelos quatro últimos episódios de Harry Potter no cinema, bem como pelo spin of da franquia, a ser lançado este ano, “Animais Fantásticos e onde habitam”) e estrelado pelo sueco Alexander Skarsgård (mais conhecido como o Eric Northman de True Blood).  

Nesta versão, o Lord John Clayton III (nome “humano” de Tarzan), incentivado pelo diplomata norte-americano George Washington Williams (Samuel L. Jackson), acaba retornando à África, após oito anos vivendo em Londres, para investigar atividades escravagistas em um Congo explorado pela Bélgica do Rei Leopoldo II. O representante do monarca no país é Blofeld Léon Rom (Christoph Waltz). Tarzan e Nick Fury Williams são acompanhados pela esposa do herói, Jane (Margot Robbie). Em papéis menores, temos Jim Broadbent, Djimon Hounson e Samuel Russell Beale (e que delícia para os fãs de Penny Dreadful rever o ator do querido Ferndinand Lyle).
De cara, há dois acertos na adaptação: apresentar um certo contexto geopolítico à trama (embora o trágico domínio belga no Congo esteja longe de ser discutido), e, principalmente, evitar contar, novamente, uma história de origem do personagem (que, mostrada ao longo da obra, em flashbacks, é mais do que suficiente para entendermos quem ele é e quais suas motivações). Por outro lado, certas motivações de personagens são simplórias e pouco criativas, o que acaba enfraquecendo o que poderia ser um filme excelente.
No elenco, Skarsgård consegue transmitir a imponência física do personagem, corresponde ao visual que se espera do personagem e convence no amor e na química com Jane. Entretanto, embora não chegue a comprometer (sai-se especialmente bem quando precisa interpretar um Lord Greystoke “domesticado”), falta-lhe um pouco de carisma. Jackson e Waltz seguem padecendo do mesmo mal: ambos, excelentes atores, parecem ter se acomodado com papéis colados a eles: o primeiro como o “negão motherfucker”, e o segundo como vilão frio, dado a monólogos com sorrisos seguros. Isso atrapalha muito a imersão nos filmes, porque lá estão Samuel L. Jackson e Christoph Waltz fazendo variações sobre a mesma coisa filme após filme. Aliás, stricto sensu, o personagem de Jackson serve para muito pouco na história além de um alívio cômico repetitivo, com diálogos expositivos, perguntas redundantes e… um rifle motherfucker. 

Resta como destaque positivo Margot Robbie, que interpreta uma personagem completamente diferente da Naomi Lapaglia de “O lobo de Wall Street” (2013) e, ao que tudo indica, da Arlequina de “Esquadrão Suicida”(2016). A australiana demonstra bastante versatilidade, mesmo tendo de lidar com um roteiro que, ao mesmo tempo em que a coloque como mulher forte e segura, a mantenha presa por boa parte da trama. 
Outro ponto positivo do filme é a parte visual. Tanto a fotografia de Henry Braham (“Nanny McPhee”, “Flyboys”, “A bússola dourada”) quanto os efeitos especiais são muito bem feitos. O filme explora bem o contraste entre a Londres chuvosa e a África que explode em paisagens grandiosas, seja no universo verde da selva ou na savana dourada. As cenas com animais – macacos, leões, avestruzes – são especialmente convincentes (talvez com a exceção de um estouro de manadas mais próximo do fim do filme). Há inclusive uma cena envolvendo elefantes que não faz qualquer diferença para a história, mas que impressiona pela organicidade dos animais. Por fim, o uso do 3D é inteligente – assim como em “Avatar” (2009), por exemplo, usa-se as diferentes distâncias das árvores, galhos e folhas na selva para criar uma sensação de imersão.

A trilha sonora de Rupert Gregson-Williams opta por usar elementos de world music, com percussões, coro e flautas, o que, embora bastante manjado, combina (ao menos) com (o estereótipo do) locus africano.
“A lenda de Tarzan” é um filme bem produzido, que, embora escorregue em algumas partes do roteiro, não padece de grandes problemas de ritmo, retoma (ainda que aventurescamente) um tema importante, e entretem boa parte do tempo. Em tempos de tantos reboots e releituras, chega a injetar um certo fôlego ao personagem – embora não deixe um desejo selvagem (aê!) por continuações.

por D.G.Ducci


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