JANIS: LITTLE GIRL BLUE
 
 
Gênero: Documentário
Direção: Amy Berg
Roteiro: Amy Berg
Produção: Alex Gibney, Jeff Jampol, Katherine LeBlond
Fotografia: Francesco Carrozzini, Jenna Rosher
Montador: Billy McMillin, Brendan Walsh, Garret Price, Mark Harrison, Maya Hawke
Duração: 103 min.
Ano: 2015
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 07/07/2016 (Brasil)
Distribuidora: Zeta Filmes
Estúdio: Disarming Films / Jigsaw Productions
Classificação: 14 anos
 
Sinopse: Documentário narrado pela cantora e compositora Cat Power sobre a vida de Janis Joplin. O documentário gira em torno da estrela do rock norte-americano. Porém, é abordado uma visão fora da música, revelando a mulher doce, sensível, confiável e poderosa que era por trás da lenda. Um relato de uma vida épica e turbulenta que mudou a música para sempre.
Nota do Razão de Aspecto:
 
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Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz? My friends all drive Porsches, I must make amends… ups, eu devia estar escrevendo a crítica do filme, e não cantando – ainda bem que vocêS, leitores, não precisaram ouvir a minha “linda” voz. Documentários biográficos musicais são assim mesmo, se não nos fizerem cantar, não foram realmente bons. Por outro lado, quando você é fã do personagem, um filme bem feito, com as músicas certas, trona-se uma experiência quase transcendental. Neste aspecto, Janis: Little Girl Blue é mais do bem que bem sucedido.O longa de Amy Berg também tem méritos para além do bom uso das músicas de Janis Joplin: a construção da personalidade da personagem por meio da montagem inteligente das entrevistas atuais com os companheiros daquela época, das imagens de arquivo e, claro, das músicas, faz do filme uma experiência cinematográfica agradável. Toda a narrativa flui naturalmente, e o espectador imerge naquele universo sem ser interrompido – sequer as entrevistas nos fazem sair daquele mundo, possivelmente porque os entrevistados eram parte da vida de Janis.

A narrativa de Janis: Little Girl Blue é pontuada pelas cartas da cantora para sua mãe ao longo da década de 1960, nas quais conta suas angústias, seus êxitos, seus medos e deixa clara a sua necessidade de aceitação de apoio por parte da família, ao mesmo tempo em que expressa ressentimento por se sentir rejeitada. Esse recurso narrativo foi fundamental para que acompanhássemos a evolução da personalidade de Janis e as desventuras da cantora, desde sua infância, passando por quando se tornou viciada em anfetamina,  a recuperação, o sucesso com a banda Big Brother Holding Company, o primeiro fracasso na carreira solo, os amores e desamores, até a morte, em 1970. ´
Da curta carreira de Janis, uma das vítimas da “maldição dos 27 anos”, o documentário nos mostra sua participação no Festival de Monterrey – o primeiro grande festival de rock do mundo, em Woodstock, a a grande turnê pela Europa, demonstrando como as músicas de Janis e sua performance no palco refletiam diretamente seu estado de espírito e o seu permanente sentimento de solidão. O filme conta, ainda, com a entrevista do lendário documentarista D.A PenneBaker, que, aos 90 anos, deu seu ponto de vista sobre o que viu e o que documentou daquela jovem frágil e talentosa, que surgiu para o mundo como uma grande estrela naquele festival.
Janis Joplin era uma menina deslocada, que se tornou uma adulta deslocada, sempre em busca do seu lugar no mundo, seja na vida pessoal, seja na sua carreira. Mesmo na São Francisco dos anos 1960, durante a revolução sexual, o machismo da sociedade daquela época atingia àquelas que não se encaixassem nos padrões de beleza ou que fossem espíritos livres, o que fica muito bem exemplificado em um trecho das cartas de Janis; “após os shows, o rapazes voltam para hotel com garotas, e eu volto sozinha”. Também foi marcante o registro tragicômico da presença de Janis na festa de dez anos de formatura de sua escola, ela, então, uma estrela diante daqueles que a humilhavam diariamente. Janis, infelizmente, não encontrou o lugar que merecia, e que acabava buscando na música e nas drogas. Um destino trágico para quem, um dia, foi escolhida “o homem mais feio do ano”.
Janis: Little Girl Blue tem força narrativa, sustenta-se como filme para além  dos personagens, embora se beneficie da presença e da excelente música de grandes personagens daquele período, como The Greatful Dad e Otis Redding, e se mostra um documentário mais poderoso que Amy. Para os fãs da cantora, o documentário é uma experiência intensa. Para quem não conhece Janis Joplin, o filme certamente despertará interesse pela música e pela cantora. A única certeza é a de que ninguém sairá indiferentes da sala de cinema.

por Maurício Costa

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