PROCURANDO DORY (FINDING DORY, 2016) – CRÍTICA
 



Gênero: Animação

Direção: Andrew Stanton, Angus MacLane
Roteiro: Victoria Strouse
Elenco: Albert Brooks, Diane Keaton, Dominic West, Ellen DeGeneres, Eugene Levy, Idris Elba, Terrell Ransom Jr., Ty Burrell, Vicki Lewis, Willem Dafoe
Produção: Lindsey Collins
Fotografia: Jeremy Lasky
Montador: Axel Geddes
Trilha Sonora: Thomas Newman
Duração: 97 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 30/06/2016 (Brasil)
Distribuidora: Disney
Estúdio: Pixar Animation Studios / Walt Disney Pictures
Classificação: Livre
Informação complementar: Sequência de Procurando Nemo
Sinopse: O peixinho azul com problemas de memória, Dory, vive alegremente nos recifes com Nemo e Marlin, quando repentinamente se lembra de que tem uma família na Califórnia. Querendo reencontrar seus pais, Dory convence Marlin e Nemo a embarcar em uma aventura que vai mudar suas vidas, cruzando o oceano em direção ao prestigioso Instituto da Vida Marinha (IVM) na Califórnia, um centro de reabilitação e aquário. Em uma tentativa de encontrar sua mãe e pai, Dory descobre a verdade sobre seu passado e conta com a ajuda de três dos residentes mais intrigantes do local: Hank, um polvo briguento, Bailey, uma baleia branca incapaz de usar sua ecolocalização, e Destiny, um tubarão baleia míope.
Nota do Razão de Aspecto:
 
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Procurando Nemo, ainda nos primórdios da Pixar, marcou uma geração e de cinéfilos e de filhos de cinéfilos e tornou-se um fenômeno do cinema de animação. Considerando êxito da produção, a realização de uma continuação era, paradoxalmente, tanto natural e previsível quanto arriscada. Qualquer tropeço na execução de um novo projeto ligado a Procurando Nemo poderia resultar em um mero blockbuster caça-niqueis, sem nada a acrescentar seja à trama, seja ao cinema de animação (e não custa reforçar que um blockbuster pode ter mérito cinematográfico). Treze anos depois, talvez muito tarde, temos uma boa notícia: Procurando Dory é um filme que faz jus ao legado do original, embora não se iguale em qualidade.
Os méritos e os deméritos de Procurando Dory residem nos mesmos aspectos. A estrutura da trama é basicamente a mesma do longo protagonizado por Nemo, o que causa no espectador a sensação de familiaridade, mas, simultaneamente, compromete a originalidade do roteiro. A inversão de papéis de protagonista e coadjuvante entre Dory e Nemo nos faz compreender, rapidamente, a dinâmica daquela relação e o quanto cada personagem é importante na vida do outro, ao mesmo tempo em que torna a participação de Nemo dispensável, considerando que o grande desafio da narrativa não é a busca por Dory, mas, sim, a busca de Dory por seus pais. As diversas referências e pequenas aparições dos personagens do longa original causam nostalgia e prestam um bom fan service, porém, nada acrescentam para o desenvolvimento da história. O saldo dessas contradições, felizmente, acaba sendo positivo.
A sensação de familiaridade é onipresente em Procurando Dory, não somente em função da estrutura narrativa e das “pontas” de personagens já conhecidos, mas também, e principalmente, porque os recursos utilizados para mover a trama remetem a outros filmes do estúdio, especialmente os da franquia Toy Story. De inovação relevante, temos apenas a introdução do interessante Hank, um polvo traumatizado, que tem apenas sete tentáculos – o único personagem com arco dramático próprio, para além da protagonista. Além disso, deve-se elogiar os momentos em que narrativa assume um tom sombrio na dose certa, de forma a demonstrar o grau de dificuldade de a personagem lidar com a própria condição e com o medo de agir, o que dá um tempero próprio ao roteiro.
Nos aspectos técnicos, Procurando Dory não deixa nada a desejar para nenhuma das grandes animações recentes, ainda que não crie um universo novo, como fez o excelente Zootopia. O trabalho de animação para dar vida aos personagens naquele universo que, para eles, é imenso e cheio de obstáculos impossíveis, é primoroso, e cito como exemplo a cena em que Dory chega ao aquário no qual as crianças podem tocar os animais marinhos. O pontos de vista dos pobres animais fez-me sentir culpado por ter feito tamanha crueldade quando visitei o aquário de Santa Mônica.
Procurando Dory transmite uma mensagem importante de tolerância à diferença e de como tratar e conviver com pessoas com algum tipo de deficiência, principalmente quando se utiliza do recurso dos flash backs para demonstrar o amor incondicional dos pais de Dory pela filha nos fragmentos de memória da personagem. Além disso,  longa nos mostra as dificuldades que os deficientes enfrentam em tarefas que seriam simples para qualquer pessoa “normal”. Trata-se de uma importante lição de empatia para as crianças e, mais ainda, para os adultos da nossa geração, em uma era na qual recrudescem a intolerância, a xenofobia, o preconceito e o fascismo. Sou obrigado a reconhecer o trabalho feito pela Disney em 2016, não somente em Procurando Dory, com discussão sobre as pessoas com deficiência, mas também em Zootopia (leia a crítica aqui), que trata de racismo e xenofobia.
Por fim, Procurando Dory é uma animação de alta qualidade mas não é memorável como Procurando Nemo. Ainda que tenha muitos méritos, Procurando Dory não alcança o nível de animações como Divertida Mente (leia a crítica aqui) e Zootopia, mas terá seu lugar reservado no coração dos fãs.
Ps: Há uma importante cena pós-créditos.
Por Maurício Costa
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