INVOCAÇÃO DO MAL 2 (2016) – CRÍTICA
Gênero: Terror
Direção: James Wan
Roteiro: Carey Hayes, Chad Hayes, James Wan
Elenco: Abhi Sinha, Adrien Ryans, Alexa Najera, Frances O’Connor, Javier Botet, Jennifer Collins, Madison Wolfe, Maria Doyle Kennedy, Nancy DeMars, Patrick Wilson, Robin Atkin Downes, Shannon Kook, Simon Delaney, Simon McBurney, Sterling Jerins, Steve Coulter, Vera Farmiga
Produção: James Wan, Peter Safran, Rob Cowan
Fotografia: Don Burgess
Montador: Kirk M. Morri
Trilha Sonora: Joseph Bishara
Duração: 133 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 09/06/2016 (Brasil)
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: Evergreen Media Group / New Line Cinema / Safran Company, The
Classificação: 14 anos
Sinopse: Lorraine e Ed Warren vão para Londres, Inglaterra, ajudar uma família atormentada por uma manifestação poltergeist, que atormenta uma das filhas. A trama é baseada no caso real de Enfield Poltergeist, registrado no final da década de 1970 no país.
 
 
Nota do razão de Aspecto:
 
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Quando é lançado um novo blockbuster de terror, sempre mantenho baixas as minhas expectativas. Geralmente, trata-se de filmes genéricos, repetitivos, com roteiros fracos e direção medíocre, que reproduzem fórmulas baratas e clichês mal aplicados em busca do lucro fácil junto aos fãs do gênero. Felizmente, toda regra tem sua exceção, e, quando se trata de James Wan, sempre podemos esperar o melhor possível.
Como fã do gênero de terror, admiro o talento de James Wan pelo domínio dos recursos de linguagem cinematográfica e do gênero de terror, demonstrado desde Jogos Mortais, passando pelos excelentes, mas pouco conhecidos, O Último Exorcismo 1 e 2 (o primeiro filme desta franquia é o meu preferido do diretor, empatado com Inovação do Mal), chegando à sua epítome com Invocação do Mal, em 2013. Não se pode deixar de reforçar o quanto os êxitos de James Wan sigificam para o gênero de terror em Hollywood, especialmente se considerarmos a proliferação de “filmes de exorcismo” nos últimos anos, com um nível de ruindade tão absurdo que fico constrangido de expressar minha opinião.
Invocação do Mal 2 faz jus ao trabalho do diretor e não decepciona o público que gosta de filmes de terror tradicionais e formulaicos – por acaso, o mesmo público que rejeitou o excelente A Bruxa.  O filme é tudo aquilo que um filme de terror deve ser: tenso, angustiante e assustador, ao fazer bom uso de clichês que, sob uma direção menos segura, tenderiam a levar o público ao riso. Neste caso, eu fui pego em quase todos os sustos – o que é uma raridade -, de tão bem construídos cinematograficamente.
Quase todos os elementos de linguagem cinematográfica funcionam perfeitamente em Invocação do Mal 2.
A fotografia de Don Burgess constrói a ambientação e a tensão com os mais diferentes recursos, incluindo alguns planos sequência, ainda nos primeiros minutos do filme, que nos levam á rotina daquela família atormentada por uma entidade demoníaca e nos faz sentir como parte daquela casa. A movimentação da câmera sempre contribui para a narrativa, apoiada por uma montagem dinâmica, que faz bom uso dos cortes para transição de cenas e ambientes – incluindo algumas passagens de alívio cômico que nos fazem rir de nervosos.
A direção de arte é impecável. É tão boa que, em alguns momentos, chega a ser opressora a ambientação dos anos 1970 no figurino, nos cenários, nas cenas documentais, na trilha sonora, nos equipamentos do casal (que renderam uma boa cena de alívio cômico) e nas costeletas de Patrick Wilson.
As atuações de Patrick Wilson, Vera Farmiga e, principalmente, da estrela mirim Madison Wolfe elevam Invocação do Mal 2 ao nível de um filme memorável. Patrick Wilson pôde desenvolver a peronsalidade de Ed Warren e as motivações de seu vínculo com a Lorraine Warren de Vera Farmiga: o amor e a fé. Madison Wolfe, por sua vez, alcança o nível de Linda Blair, no clássico O Exorcista, com uma atuação que vai muito além da criança assustada e/ou passiva diante da possessão.
Infelizmente, nem tudo em Invocação do Mal 2 são qualidades. O ponto fraco do filme – tratando apenas dos elementos do próprio filme, já que continua sendo superior a 95% dos filmes do gênero – é o roteiro. O filme tem algumas cenas desnecessárias, alguns diálogos expositivos completamente dispensáveis, e se arrasta demais no primeiro ato, ao procurar desenvolver a tensão e empatia do público com os personagens.  A partir da segunda metade dos segundo ato, a narrativa se torna dinâmica, a tensão toma conta da tela e, consequentemente, do espectador, e o filme entra em um crescendo que culmina em um confronto final apenas bom, mas que, embora não decepcione, poderia ter sido melhor. O resultado é um filme mais longo do que o necessário, do qual poderiam ter sido cortados, sem prejuízo da narrativa, pelo menos quinze minutos.
Com uma “pegada documental”, devidamente refletida na direção de James Wan, uma vez que é baseado em fatos reais, Invocação do Mal 2 é um filme assustador, um terror tradicional de alto nível, um dos melhores de 2016, certamente a melhor produção hollywoodiana do gênero no ano. Claro, você, leitor, deve estar-se perguntando: Invocação do Mal 2 é tão bom ou melhor do que o primeiro? Esta resposta eu deixo para você descobrir, depois de sair da sala de cinema.
por Maurício Costa
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