EU SOU ALI & ENFRENTANDO ALI
Gênero: Documentário
Direção: Clare Lewins
Roteiro: Clare Lewin
Elenco:  George Foreman, Gene Kilroy, George Lois, Hana Ali, Ramahan Ali, Maryum Ali, Verónica Porche, Muhammad Ali, Jr, Jim Brown, Ken Jones, Tom Jones, Mike Tyson
Produção: John Battsek, George Chignell, Simon Chinn, Greg Hobden, Clare Lewins
Fotografia: Stuart Luck
Montador:  Mark ´Reg´ Wrench
Duração: 2014
Ano:  111 minutos
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Sinopse: Por meio de entrevistas, material de arquivo e registros em áudio, é apresentada a vida da lenda do boxe Muhammad Ali.
Nota do Razão de Aspecto:
 
Se
você não entendeu muito o porquê da comoção mundial quando a morte de Muhammad Ali
foi anunciada – ou se você quer relembrar a carreira deste que é considerado
por muitos o maior boxeador de todos os tempos, o Netflix oferece duas boas
opções.
A
primeira delas, escrita e dirigida por Clare Lewins, em seu único trabalho de
destaque como diretora, trata-se de “Eu sou Ali”. Reunindo uma farta
quantidade de imagens – e também de áudios-memórias gravados pelo próprio Ali
em seu ambiente familiar, o documentário é indicado para aqueles que querem
saber mais sobre a vida de boxeador nascido Cassius Marcellus Clay, Jr., em
1942, em Louisville, Kentucky, e que adotou o nome Muhammad Ali em 1964, logo
após derrotar Sonny Liston e conquistar o título mundial dos peso-pesados.
Segundo ele, “Cassius Clay” era um nome típico de escravo, enquanto
“Muhammad Ali”era “um bom nome de negro”, e respeitava sua
fé islâmica.
A
estrutura do documentário, embora não chegue a adotar um formato enciclopédico,
é bastante didática, e conta desde o início de Ali no boxe, aos 12 anos,
treinado por um policial, até seu afastamento dos ringues no início da década
de 1980, e passando pelo título olímpico de 1960, e pelas lutas épicas com
George Foreman e Joey Fraser na década de 1970.
Além
das imagens de arquivo, Lewins realizou uma série de entrevistas com pessoas
próximas de Ali, tanto no campo profisisonal (como Gene Kilroy, seu agente e
Angelo Dundee, seu treinador) quanto no ambiente familiar (May May e Hana,
filhas; Muhammad Jr, seu filho, e Veronica Porche, sua ex-mulher). Somam-se a
eles representantes da imprensa, como Ken Jones e George Louis, e boxeadores,
como George Foreman, de quem Ali retomou o título dos pesos pesados em uma famosa
luta no Zaire, em 1974, e Mike Tyson, para quem foi a principal inspiração.
O
Ali por todos revelado é um homem de profundo carisma, falastrão, e convencido,
extremamente bem humorado e cheio de opiniões defendidas com verborragia e
talento de oratória. Embora idolatrado – em especial pela comunidade negra,
para quem foi modelo e inspiração -, Ali esteve longe de ser uma unanimidade.
Sua ligação com o líder islâmico Elijah Muhammad e com Malcolm X causou
resistência a seu sucesso por parcelas conservadoras da sociedade americana. A
grande polêmica de sua biografia foi a recusa a lutar na Guerra do Vietnã,
episódio em criticou explicitamente o conflito por se recusar a “ser um
negro lutando por brancos matando amarelos pobres e inocentes”, e que lhe
custou os títulos ganhos até então. Por outro lado, seus familiares falam de um
pai extreamamente carinhoso e presente, mesmo com as demandas da carreira e da
fama.
“Eu
sou Ali” não é um documentário especialmente inovador em formato, e traz como novidade o uso dos “diários gravados” de Ali. Por outro lado, é muito bem
feito e agradável em termos de ritmo. Uma frustração, entretanto, é que o
documentário se encerra junto da carreira do boxeador, e não traz muito sobre
sua vida pós-aposentadoria. Ali ficou vivo por 25 anos depois disso – e ainda
estava à época do documentário – e a impressão que fica é que está se falando
de uma pessoa já falecida.
Gênero: Drama
Direção: Pete McCormack
Roteiro: Pete McCormack
Elenco: George Chuvalo, Henry Cooper, George Foreman, Joe Frazier, Larry Holmes, Ron Lyle, Ken Norton, Earnie Shavers, Leon Spinks, Ernie Terrell
Produção: Ronald A.DiNicola, Paul Gertz, Derik Murray, Kent Wingerak
Fotografia:  Ian Kerr
Montador: Jesse James Miller
Trilha Sonora: Schaun Tozer
Duração: 100 min.
Ano: 2009
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Ano: 2009
Sinopse: Dez ex-adversários de Muhammad Ali comentam sobre seus confrontos com o tri-campeão mundial dos pesos pesados.
Nota do Razão de Aspecto:
 
A
outra opção de documentário é “Encarando Ali“, produzido pela
Muhammad Ali Productions, e escrito e dirigido por Pete McCormack (este sim, já
mais experiente no formato, e diretor de documentário sobre outro grande ídolo,
Bruce Lee).
Embora
trate do mesmo personagem, e basicamente fale dos mesmos fatos, “Encarando
Ali” opta por ter como fio narrativo uma série de entrevistas com
boxeadores que enfrentaram Ali ao longo de suas carreiras. São 10 adversários
de Ali, com destaque para Henry Cooper, inglês que enfrentou Cassius Clay no
estádio de Wembley; George Foreman; e, claro, Joe Frazier, contra quem Muhammad
Ali lutou três vezes ao longo da década de 1970, incluindo a que foi chamada de
“Luta do Século”, em 1971.
Todos
concordam que Ali elevou o boxe a um outro nível, e forçou atletas e
treinadores a se prepararem de forma especial para enfrentá-lo, sob pena – como
no caso de Foreman – de ser surpreendido em caso de desdém. Dentro dos ringues, Ali foi um marco divisor do boxe peso pesado. Extremamente rápido com os pés, defendia a tática de “voar como uma borboleta, e picar como uma abelha”.
“Enfrentando
Ali” não se preocupa em explicar tanto a vida de Muhammad Ali quanto
“Eu sou Ali”, e acrescenta ao tema tratado algumas informações
biográficas sobre os entrevistados. Desta forma, é indicado não apenas para fãs
de Muhammad Ali, mas de boxe em geral.
Como
curiosidade que fica para os fãs da franquia Rocky Balboa, após assistir aos
dois documentários, é impossível não perceber o quanto Silvester Stallone bebeu
da vida de diversos boxeadores – em especial da de Ali – para compor seus
personagens. Por exemplo, a personalidade de showman falastrão de Apollo Creed é muito semelhante à de Ali, e a
tática de cansar Clubber Lang no terceiro episódio da série é baseada no que
fez Ali contra Foreman no Zaire (obviamente, de forma mais exagerada e hollywoodiana.
Em
uma época de atletas-celebridades que tendem à idiotia, revisitar a vida de
Muhammad Ali traz a lembrança de uma época em que o engajamento e a crítica
podiam conviver com o sucesso profissional. Ali dizia que não queria ser líder,
e sim livre: eis um dos motivos pelos quais ele se tornou muito maior do que um
mero boxeador de sucesso.

 

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