GAME OF THRONES – SEXTA TEMPORADA – EPISÓDIO 6: BLOOD OF MY BLOOD (COM SPOILERS!)
ALERTAEsta crítica contém spoilers. Proceda à leitura por própria conta e risco.
Confira a ficha técnica do episódio aqui
 
 
 
 
Nota do Razão de Aspecto:
 
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Neste domingo, GoT teve um episódio importante, embora menos trágico e
menos emocionante do que alguns dos episódios anteriores. Blood of My
Blood 
seguiu a tendência de concentrar-se em menos núcleos narrativos,
para que a trama possa se desenvolver de forma menos apressada. Pudemos
conhecer um pouco da história de Sam, rememoramos o casamento vermelho com o
retorno dos Frey e de Edmure Tuly, vimos os desdobramentos do treinamento de Arya, presenciamos mais um discurso épico, porém
desnecessário, de Daenerys, e, principalmente, testemunhamos a virada de jogo
em King’s Landing e a sequência da fuga de Bran, esta com a revelação da
identidade de Benjen Stark. Tratarei de Bran por último, porque se trata da
passagem mais importante de toda a temporada e tem implicações para teorias
importantes sobre os rumos de Westeros.
Confesso estar muito interessado no desenvolvimento da trajetória de
Sam, Gily e do pequeno Sam. Trata-se de um dos personagens mais simpáticos de
GoT, além de ser um dos que está passando pela maior transformação, descontados
os violentados, estuprados, mortos e ressuscitados, é claro. Sam é
paradoxalmente covarde e corajoso, e sua iniciativa de roubar a espada da
família e levar consigo Gily e o pequeno Sam são a superação de uma etapa na
jornada do personagem, que, a partir de agora, terá reservado um papel
relevante nos desdobramentos da guerra. Não tentarei predizer ou teorizar qual
será esse papel, mas seria estúpido e/ou amador dar tanto tempo de tela a um
personagem que não terá relevância imediata. Não esqueçamos que, somados os
dois últimos episódios, Sam teve mais tempo de tela do que Jon Snow. George
Martin e a equipe da HBO não são nem estúpidos nem amadores.
A retomada do núcleo dos Frey, nas Terras Fluviais, deu-me nos nervos, e
não podia ser diferente. Nosso último encontro foi o casamento vermelho. Esta
cena cumpriu uma função narrativa fundamental tanto para lembrar ao público os
personagens que estarão no caminho de Jon, Sansa e, quem sabe, Lorde Baelish,
quanto para contextualizar o polo oposto da atual jornada de Jon e Sansa a Correrio.
Restam apenas quatro episódios e, ao que tudo indica, o enfrentamento entre os
Frey, Peixe Negro, Jon e Sansa deverá ocorrer antes do episódio nove, que
deverá ser o da batalha dos bastardos (ou não, mas aposto na coerência da
narrativa). Além disso, nessa jornada, Brienne e Podrick estão indo para as
Terras Fluviais, onde está uma das personagens mais impactantes dos livros.
Lady Stone Heart! Espero que este seja o mote para que a HBO finalmente
introduza essa personagem na série!
A volta de Daenerys a Meeren e seu reencontro com o Dragão em mais uma cena
“eu-sou-foda-pra-caralho” foi totalmente desnecessária, e nela está o
ponto mais baixo do episódio: a cena parece ter sido feita para forçar o
diálogo sobre os “mil navios”, por acaso, o mesmo número de navios
que Euron Greyjoy pretende construir. Falem sério, roteiristas! Realmente era
preciso ter um diálogo tão expositivo e desnecessário? Este ponto baixo tem
sido o ponto baixo de GoT desde temporada 5, quando muitas das
“pontas” são ligadas seja por cenas telegrafas (por que diabos
Melisandre chegaria à Muralha na cena imediatamente anterior a Jon ser
assassinado?), seja por diálogos de baixíssimo nível.
Em King’s Landing, tivemos a grande virada do episódio. Se, em termos
narrativos, foi um recurso inteligente, a conversão de Tommen à fé militante
teve um resultando frustrante, para quem estava com sede de confronto nesta
temporada, como este que vos escreve. A conversão foi uma jogada maquiavélica
genial de Margaery, que, ao mesmo tempo, afastou Tommen de Cersei, ganhou poder
para a sua casa e livrou seu irmão da tortura. Ver Tommen exilando do próprio
pai foi, no mínimo, inesperado, mas, ao mesmo tempo, fundamental para o
desenvolvimento da guerra e da vingança dos Lannister, com Jamie liderando o
exército de sua família.
Em Braavos, o resultado do treinamento de Arya foi previsível: uma
garota tem nome e, além do nome, tem uma família, tem treinamento e tem sede de
vingança. A não ser que George Martin e a HBO nos tenham feito perder tempo com
as sequências repetitivas de treinamento em duas temporadas para simplesmente
matar Arya, o que vem pela frente é previsível: a pequena Stark vai derrotar
sua algoz uma vez e fugir em busca de vingança. O que acontecerá entre esse
duelo e sua fuga é o que mais me instiga. Espero que Arya recupere a força das
primeiras quatro temporadas.
Por fim, chegamos a Bran. Embora tenha sido a primeira cena do episódio,
já na sequência da fuga dos White Walkers, a importância daqueles breves
minutos e, principalmente, de alguns poucos segundos desta cena, merecem ser
discutidos devidamente. Primeiro, para quem se interessar, recomendo este texto sobre as visões de Bran, que
resume a totalidade de eventos tanto passados quanto futuros, que nos foram
mostrados naqueles breves segundos.
Para discutir o papel de Bran, não vou me ater àquela que já se tornou a
discussão mais nonsense desta temporada: a inserção de ficção científica no
universo fantásticos de GoT, em função do paradoxo temporal criado pelos poder
do novo Corvo de Três Olhos. Estamos em um universo fantasioso e místico, e
nada lá tem relação com as leis da física. A ficção científica é mais um desejo
dos fãs do que um fato narrativo, afinal, se existem dragões, bruxas, deuses se
manifestando, pessoas ressuscitando, por que o paradoxo temporal deveria ser
científico? Claro, sempre se pode perguntar como Bran pode intervir em fatos
anteriores ao seu nascimento, mas a resposta é simples: como espírito, como
forma de energia, com ser místico, aquele ser sempre existiu, ou aquela poder
existiu, e ele ultrapassa as explicações científicas e ingressa no mundo
metafísico.
De todas as visões do passado, do presente e do futuro, uma das visões
de Bran me chamou a atenção, por ter relação com algo que discuti na crítica do
episódio anterior (que você pode ler aqui): o aparecimento do Rei Louco, com sua fala
“Burn them all!”. Aqueles que têm acompanhado minhas críticas sabem
que aposto na teoria de que Bran, com grandes poderes e pouca maturidade, pode
ter tentado intervir em eventos passados e futuros para mudar o presente, o que,
como sabemos, seja na ficção científica, seja na fantasia, nunca dá certo. Se,
na crítica passada, afirmei que a intervenção na linha do tempo não seria um
recurso narrativo incidental, depois das visões de Bran neste episódio, está
mais do que claro que seus poderes têm, tiveram ou terão influência
determinante nos rumos de Westeros. Para além da história, a montagem da cena
das visões ajuda a construir a confusão nos espectadores menos atentos e
desperta as teorias da conspiração nos mais atentos. Será que algum fã se
arriscaria a tentar reeditar as visões de Bran em uma suposta ordem
cronológica? Muito se poderia esclarecer e muitas teorias se poderiam
desenvolver com base nesse exercício. Por enquanto, aposto que os “sussurros”
que o Rei Louco ouvia são, de alguma forma, intervenções de Bran.
Valar
morghulis!
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