NETFLIXING: ELE ESTÁ DE VOLTA

Gênero: Comédia
Direção: David Wnendt
Roteiro: David Wnendt, Mizzi
Meyer, baseado no livro de Timur Vermes
Elenco: Oliver Masucci, Fabian Busch, Christoph
Maria Herbst, Katja Riemann, Franziska Wulf, Lars Rudolph, Michael Kessler, Michael
Ostrowski, Gudrun Ritter, Christoph Zrenner.
Produção: Christoph Mueller, Lars Dittrich, Oliver
Berden, Martin Moszkowicz
Fotografia: Hanno Lentz
Trilha Sonora: Enis Rotthoff
Duração: 116 min.
Ano: 2015
País: Alemanha
Cor: Colorido
Estúdio: Constantin Film
Sinopse: Adolf Hitler aparece, sem explicações, no mesmo local onde ficava o seu bunker, em plena Berlim dos dias de hoje. Contudo ninguém leva o ditador a sério, e seus discursos acabam sendo interpretados como humor negro.
 Nota do Razão de Aspecto:

Um dos bons lançamentos do Netflix, “Ele está de volta” tem premissa extremamente simples: como o público de hoje
reagiria a Adolf Hitler, caso ele retornasse sem nenhuma explicação? E a
resposta que o filme se propõe é perturbadora: riríamos dele e ao mesmo tempo o
amaríamos.
Esta
pode parecer uma idéia absurda, mas boa parte do filme é composta de cenas em
locais públicos, no mesmo estilo do Borat, onde o ator Oliver Masucci (de “Berlin Eins”) interage travestido de Hitler com o público. E estranhamente o público
não apenas reage com simpatia, como tira selfies, fazem comédia, dão mensagens
de apoio, fazem a saudação nazista, etc. Isto em Berlim, nos dias de hoje.
Talvez alguns de vocês (espero que poucos) pensem que
isto seria natural, humor da geração 
internet, apenas um pouco de sadio desapego. Mas isto dificilmente se
manterá ao ver a qualidade da interpretação 
de Masucci. O Hitler de Massuci é incrivelmente convincente, agressivo,
racista, odioso e assustador. E mesmo assim assustadoramente engraçado.
Mais
estranho ainda é nos identificarmos com o público que age como “fã” de
Hitler. E como os personagens fictícios são verossímeis, humanos, e
estranhamente inconscientes do elefante no meio da sala.
Baseado no romance de estreia do alemão Timur Vermes, lançado em 2012, o roteiro auxilia e muito na sensação de estranheza. Temos Masucci em uma atuação
brilhante, primeiro um Hitler pasmado sem entender o que aconteceu, e um
pequeno público que o trata como um sósia. Aos poucos, Hitler vai ganhando
compostura e desenvoltura, e o público dele maior e mais pasmado, e seu
discurso mais e mais próximo do discurso histórico. E com isto mais e mais
ganhando popularidade como ator de comédia em um canal de TV.
São poucas as comédias que conseguem combinar o riso
com o mal estar, que fazem a gente se sentir mal de achar graça. E “Ele está de
volta” ainda tem o mérito de questionar, qual o limite do politicamente
incorreto. Até que ponto o humor sem limites não pode ser usado como uma forma
de transmitir mensagens que não aceitaríamos se estivéssemos falando sério?

O
filme carece um pouco de unidade entre as cenas filmadas com o público e as
cenas ensaiadas, e por vezes notamos a voz do diretor (David Wnendt, de “Zonas Úmidas”)
por detrás do filme, um pouco panfletária (em especial no final), o que gera uma sensação
de que a trama é uma desculpa para transmitir a mensagem. Mas o ótimo roteiro e
a interpretação genial de Masucci superam todas as dificuldades. Para rir, se
sentir mal, e deixar de rir do Danilo Gentili. 

por Aniello Greco

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