GAME OF THRONES – SEXTA TEMPORADA – EPISÓDIO 2: HOME (COM SPOILERS!)
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ALERTAEsta crítica contém spoilers. Proceda à leitura por própria conta e risco.
Confira a ficha técnica do episódio aqui

 

Nota do Razão de Aspecto:
 
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Jon Snow está vivo.  No segundo episódio da sexta temporada, nada poderia ter sido mais catártico e, ao mesmo tempo, previsível. A ressurreição de Jon Snow foi “telegrafada”, para usar uma gíria futebolística, na antepenúltima cena do season finale da quinta temporada. A chegada de Melisandre à Muralha não faria o menor sentido narrativo, se não fosse para cumprir o papel de ressuscitar o personagem mais amado do seriado. Além disso, se o universo de Game of Thrones inclui, desde o começo, o recurso da ressurreição, certamente essa escolha narrativa não foi feita de forma incidental. A semente estava lá, para ser plantada quando fosse necessário.
Apesar do desejo e da crença geral, trata-se de Game of Thrones. A possibilidade de que se brincasse com a expectativa do público em relação a Jon Snow não era desprezível: Melisandre poderia ter sido impedida pelos Corvos, poderia não ter conseguido, devido ao enfraquecimento de sua fé, os Corvos poderiam ter atacado mais rapidamente, os selvagens poderiam não ter chegado a tempo de impedir o massacre.  As escolhas narrativas eram diversas, cada uma com diferentes implicações, algumas mais ousadas e corajosas, outras menos… Desta vez, em um raro momento em que me comporto mais como fã do que como crítico, sou obrigado a admitir que a escolha mais simples e mais simpática aos fãs foi muito melhor do que quaisquer coragem e ousadia na condução da jornada dos nossos heróis.
O desfecho foi óbvio, mas catártico. Naqueles poucos minutos, que mais pareceram uma eternidade, foi possível vislumbrar o desfecho das quatro principais possibilidades: a) Melisandre conseguir reviver Jon Snow, b) Jon Snow reviver no corpo do lobo Fantasma – e tenho certeza que muitos de vocês pensaram nisso quando o lobo acorda antes do herói; c) Melisandre  supostamente não conseguir, mas Snow renascer das chamas como um Targaryen, durante sua cremação, ou d) Melisandre não ressuscitá-lo, por qualquer uma das razões que já discuti. Até o último segundo, a equipe de GoT brincou com a emoção dos fãs, e o final foi o clímax de mais de um ano de calorosas discussões.
Em tempos tão sombrios no nosso país, é importante descobrir que algo ainda é capaz de unir as pessoas. 😉
A partir de agora, resta-nos discutir as possibilidades narrativas: como Snow retornará da morte? Desejará vingança? Melisandre, por sua vez, terá sua fé recuperada. A aliança entre Jon, Sir Davos, os Selvagens e o Corvos leais deverá, ao que tudo indica, levar à esperada batalha dos bastardos, em Winterfel. E aqui chegamos ao segundo acontecimento mais importante do episódio.
Sempre considerei Lorde Bolton o personagem mais abjeto de GoT, devido à deslealdade e ao nível de mau caratismo que leva alguém a promover algo como o Casamento Vermelho. Ao contrário dos demais “vilões” de GoT, Lorde Bolton não é exatamente um louco, não estava defendendo nenhuma posição de poder perdida, era um general importante de um exército poderoso. Sempre torci pela sua morte, e o fato de que ela tenha acontecido pelas mãos do próprio filho é redentor. Infelizmente, como escolha narrativa, a morte de Bolton foi colocada no episódio errado. Sem dúvidas, este núcleo ficou ofuscado pela ressurreição de Jon Snow. Do ponto de vista meramente estrutural, pode-se argumentar a favor de certo paralelismo: enquanto um dos bastardos retorna da morte, o outro bastardo toma o poder, e esses acontecimentos paralelos convergem para culminar na batalha pelo controle do Norte. Ainda assim, teria sido mais inteligente provocar o impacto dos dois eventos separadamente, para que fossem mais bem entendidos e assimilados pelo público tanto racional quanto emocionalmente. Admito, eu gostaria de ter comemorado muito mais a morte de Lorde Bolton.
Além dos dois fatos principais, o segundo episódio nos trouxe Bran, já parcialmente treinado em suas habilidades, em meio a uma “visão verde” do passado de sua família. Essa habilidade coloca mais um importante recurso narrativo em GoT, ao possibilitar flashbacks que explicarão as origens de alguns personagens, reforçando a teoria de que Jon Snow seria filho de Rhaegar Targeryan e Lyanna Stark – esta, personagem da primeira “visão verde” de Bran. O trailer do terceiro episódio mostra uma nova “visão verde” de Bran, que se passa, possivelmente, na Torre da Alegria, onde Lyanna morreu em uma cama de sangue – segundo a teoria mais difundida, a cama de sangue seria o parto de Jon Snow.
O núcleo de Meeren teve poucos desenvolvimentos, mas a cena de Tyrion com os dragões deixou todo o público sem respiração. Naquele momento, pensei, e acredito que muitos de vocês pensaram o  mesmo, que matar Tyrion daquela forma seria algo típico de George Martin.  Felizmente, não aconteceu.
Os demais núcleos, apesar da morte de Baleon Greyjoy, foram secundários, e apenas deram seguimento á história. De certa forma, foram desnecessários, não para a temporada, mas, sim, para o episódio em si. O núcleo de Arya continua lento, a jornada de Sansa, até o momento, está entediante, o núcleo de Kings Landing ainda está em lento desenvolvimento, embora a reaproximação de Tommen e Cersei tenha implicações sérias, e Danaerys sequer participou deste episódio. Todos aguardamos o retorno de Lorde Baelish. A escolha de colocar todos esses núcleos em um episódio é o que me faz tirar meia estrela da nota final.
A sexta temporada parece estar deixando claro quem são os personagens centrais de uma trama complexa e, ao que tudo indica, todas as mortes inesperadas e violentas das temporadas anteriores tinham o claro objetivo de conduzir a narrativa para determinado ponto, no qual Danaerys, Jon Snow e Tyrion constituirão o centro da trama.
E que venha o terceiro episódio.
 
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