O QUARTO DE JACK
 
Gênero: Drama
Direção: Lenny Abrahamson
Roteiro: Emma Donoghue
Elenco: Amanda Brugel, Brie Larson, Cas Anvar, Jack Fulton, Jacob Tremblay, Jee-Yun Lee, Joan Allen, Joe Pingue, Justin Mader, Kate Drummond, Matt Gordon, Ola Sturik, Randal Edwards, Rodrigo Fernandez-Stoll, Rory O’Shea, Sandy McMaster, Sean Bridgers, Tom McCamus, Wendy Crewson, William H. Macy, Zarrin Darnell-Martin
Produção: David Gross, Ed Guiney
Fotografia: Danny Cohen
Montador: Nathan Nugent
Trilha Sonora: Stephen Rennicks
Duração: 118 min.
Ano: 2015
País: Canadá / Irlanda
Cor: Colorido
Estreia: 18/02/2016 (Brasil)
Distribuidora: Universal Pictures Brasil
Estúdio: A24 / Element Pictures / No Trace Camping / TG4 Films
Classificação: 14 anos
Sinopse: Uma história moderna sobre o amor sem limites entre mãe e filho. O pequeno Jack (Jacob Tremblay), de cinco anos, não conhece nada do mundo, exceto o quarto onde nasceu e cresceu acompanhado apenas por Ma (Brie Larson). Ambos devem adaptar-se ao mundo, após sua libertação.
Nota do Razão de Aspecto:
 
 
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O Quarto de Jack é o o meu filme favorito entre os indicados ao Oscar. Trata-se de um filme com uma premissa perturbadora, personagens fortes, narrativa coesa, com equilíbrio entre a brutalidade do abuso e a doçura da relação familiar, direção competente e segura e, principalmente, com atuações memoráveis de Brie Larson e Jacob Trembley.
Dirigido por Lenny Abrahamson (quem dirigiu um dos meus filmes independentes favoritos de todos os tempos, Frank, cuja crítica você pode ver aqui ), com roteiro adaptado do romance Quarto pela própria autora Emma Donoghue, O Quarto de Jack conta a história de uma mãe que, em cativeiro, tem um filho, resultado do abuso de seu sequestrador, a quem tenta proteger daquela realidade ao convencê-lo de que o mundo se resume ao quarto de 10m2 em que vivem, onde recebem as visitas diárias de “Old Nick”.
Nos primeiros cinquenta minutos de filme, passamos por um misto de comoção, revolta e incômodo, ao testemunharmos a forma como o garoto Jack estabelece sua relação com o mundo que conhece. O garoto de cinco anos de idade refere-se a todos os objetos como se fossem seres dotados de personalidade, separa o mundo entre as coisas que existem dentro do quarto e aquelas da TV, que seriam fantasiosas, inclusive as pessoas, e não compreende a existência do mundo como algo maior do que um outro quarto, quando Ma, em meio ao desespero, tenta explicar ao jovem Jack que “Old Nick” não tinha poderes mágicos.  Além disso, Brie Larson conduz os espectadores a momentos de profunda perturbação, ao transmitir a dor, o desespero e as oscilações entre o conformismo e a esperança de escapar. Se você não chorar ou, pelo menos, sentir vontade de chorar neste primeiros cinquenta minutos de filme, você provavelmente tem uma rocha no lugar do seu coração.
No segundo ato, após a libertação – e não se trata de spoiler, pois esta uma informação básica da narrativa, que, aliás, consta do trailer do filme – , acompanhamos o deslumbramento de Jack com a descoberta do mundo, onde as folhas das árvores são reais, as árvores existem, as pessoas existem fora da TV, e onde existe um avô e uma avó. Ao mesmo tempo, Ma precisa readaptar-se ao mundo exterior, reconstruir a relação coma família, suportar o assédio da mídia sensacionalista e reconstruir sua relação com Jack.
Em meio a este caos, Brie Larson constrói uma personagem que nunca é unidimensional, é ambivalente em sua vontade de adaptar-se, cruel consigo mesma e com sua família em relação à culpa que sente, ao mesmo tempo em que sente a crueldade de seu pai – interpretado pelo grande William Macy – em relação à Jack. Jacob Trombley, por sua vez, entrega ao público um personagem cativante, cuja adaptação ao mundo é mais rápida e menos traumática, o que o faz divergir dos caminhos tomados por sua querida Ma.
O Quarto de Jack tem diálogos memoráveis e cenas inesquecíveis, com suporte fundamental da fotografia – por exemplo, nas formas como se enquadra o quarto no primeiro e no último atos, modificando percepção da dimensão daquele ambiente, e no uso da luz “estourada” e das cores para demonstrar a forma como aqueles personagens reagiam fisicamente à libertação, e da trilha sonora que oscila entre o melancólico e o sombrio.
Para muito além de ser um filme baseado em suas interpretações e na capacidade de sua equipe técnica, O Quarto de Jack é um filme bem escrito e bem dirigido, que justifica sua indicação aos Oscars de melhor filme, melhor atriz – Brie Larson é a favorita e deverá sair vencedora -, de melhor direção – indicação que já reflete o devido reconhecimento ao trabalho de Lenny Abrahamson -, e de melhor roteiro adaptado. Sem ser um blockbuster, sem o preciosismo técnico e sem a opulência da produção de outros concorrentes, O Quarto de Jack é um filme grandioso, ao demonstrar que, acima de tudo, o que faz um grande filme é uma história bem contada.
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