JURASSIC WORLD – O MUNDO DOS DINOSSAUROS
Gênero: Aventura
Direção: Colin Trevorrow
Roteiro: Colin Trevorrow, Derek
Connolly
Elenco: Andy Buckley, BD Wong, Brian
Tee, Bryce Dallas Howard, Chloe Perrin, Chris Pratt, Divine Prince Ty Emmecca,
Eddie J. Fernandez, Gary Weeks, Irrfan Khan, Jake Johnson, Judy Greer, Katie
McGrath, Lauren Lapkus, Matthew Cardarople, Nick Robinson, Omar Sy, Ty
Simpkins, Vincent D’Onofrio
Produção: Frank Marshall, Patrick Crowley, Thomas Tull
Fotografia: John Schwartzman
Montador: Kevin Stitt
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Duração: 126 min.
Ano: 2015
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 11/06/2015 (Brasil)
Distribuidora: Universal Pictures
Estúdio: Amblin Entertainment /
Universal Pictures
Classificação: 12 anos
Sinopse: Vinte e dois anos
após os eventos do primeiro filme, o Jurassic Park encontra-se aberto ao
público, com atrações envolvendo dinossauros de diversas espécies. Para atrair
novos turistas, são feitas experiências genéticas para a criação de novas
espécies de dinossauros, o que pode se tornar bastante perigoso…
Nota do Razão de Aspecto
A
fascinação humana pelo convívio direto com os dinossauros já produziu obras
fantásticas como “Viagem ao centro da Terra”, livro de Jules Verne publicado
em 1864, e “O mundo perdido”, de Arthur Conan Doyle, de 1912.
Aparentemente, temos uma vontade frustrada de interagir com o conjunto de
espécies de vertebrados que representou a mais alta escala da evolução no
planeta por 135 milhões de anos, e que foi extinta, deixando apenas fósseis e
vestígios em alguns animais contemporâneos, como dragões de Comodo e certos
políticos.
Dos
“Flintstones” à “Família Dinossauro”, passando pela
“Terra Selvagem” dos quadrinhos da Marvel, a incorporação de nossos
antecessores às narrativas representou um pólo de atração recorrente na ficção.
Em
1993, Steven Spielgerg decidiu explorar esse filão ao lançar “O Parque dos
Dinossauros”, filme cuja principal atração era o nível de realismo
oferecido pelos efeitos especiais. Pela primeira vez no cinema, diversas
espécies de dinossauros eram apresentadas com textura nos couros e couraças,
com peso e organicidade de movimentos e sons convincentes. Para embalar esse
show visual, Spielberg criou uma trama que flertava com a discussão sobre os limites
da ciência (e a clonagem tornar-se-ia tema midiático na época, quando ovelha
Dolly foi o primeiro animal a ser clonado a partir de uma célula somática adulta),
apresentada com aventura, suspense, e entretenimento.
Passados
vinte e dois anos desde o primeiro filme – e 14 anos desde o último episódio da
franquia -, o Jurassic Park (agora World) já está aberto na Isla Nublar há
alguns anos: foi possível controlar os dinossauros por meio do implante de
chips, e, assim, criar um parque temático com atrações variadas, que envolvem
desde a observação de um gigantesco mosassauro se alimentando de um tubarão,
até um passeio nas costas de espécies menores, para as crianças.
Percebendo
que o interesse pelos dinossauros tem diminuído com os anos, a InGen – empresa criadora
do empreendimento – resolve explorar novas fronteiras, ao usar a genética para
criar novas espécies de dinossauros, “mais legais” e “com mais
dentes”. A obra-prima desses experimentos é o Indominus rex. Não será um grande spoiler dizer que as coisas não sairão muito bem e os protagonistas
do filme terão de lidar com o mundo selvagem à sua volta, pretensamente
controlável.
Após
seu Starlord de Guardiães da Galáxia,
Chris Pratt continua sua saga em busca de ser o Harrison Ford desta geração. Se
naquele filme, Pratt incarnava uma mistura de Han Solo e Indiana Jones galáctico,
aqui ele mistura Indiana com uma espécie de Crocodilo Dundee dos dinossauros: aqui
ele interpreta Owen Grady, um rústico treinador de velociraptors, com aquele
charme cínico mas de bom coração. A ele se juntará Brice Dallas Howard,
excelente atriz que patina um pouco ao interpretar Claire Dearing, chefe de
operações do parque, e que tem uma relação de paixão-contida-e-atrito com Grady.
A personagem começa um pouco caricatural demais, mas se acerta ao longo do
filme. É impressionante como, no decorrer da trama, em várias cenas ecoa o
atrito Indiana-parceiras, em especial nos primeiros filmes. Não me admiraria se
a Disney escolhesse Pratt para herdar o fedora de Harrison – se bem que a
escolha por estrelar esta franquia possa tê-lo tirado do páreo.
Completam
o elenco principal Nick Robinson e Ty Simpkins, que interpretam os sobrinhos de
Claire, previsivelmente em visita ao parque na hora em que tudo dá errado; Vincent
D’Onofrio, interpretando um vilão sem graça e com uma ideia estapafúrdia (e ao
lembrar do recente Wilson Fisk de D´Onofrio, na série de TV do Demolidor, a
tristeza ainda aumenta); Irrfan Khan, carismático ator indiano de “A vida
de Pi” e “Quem quer ser um milionário?”, como Simon Masrani, novo
dono do parque, e herdeiro do ideal de John Hammond, idealizador do projeto
original; e B.D. Wong, que retorna como o Dr. Henry Wu, geneticista chefe do
projeto, e único ator a permanecer nas duas gerações da franquia.
A
melhor metáfora é oferecida pelo próprio roteiro do filme: para atrair o
público, é preciso dinossauros ainda mais assustadores. O problema é que, em
uma época onde o nível de efeitos especiais já é bastante alto em
superproduções, não basta ser visualmente espetacular para garantir um
excelente filme.
Não
que “O Mundo dos Dinossauros” seja um filme ruim, ou que se limite a
ser bonito: há cenas de ação interessantes, e, ao longo da projeção, é curiosamente
recorrente o sentimento de se estar assistindo um filme de aventura da década
de 1980 ou 1990 (o que, em si, é algo até bem-vindo). Além disso, o elenco é
extremamente carismático, e a decisão de manter o tema musical criado por John
Williams reforça a sensação de nostalgia. Ao subverter o papel de determinadas
espécies no filme, o roteiro faz um agrado aos fãs mais ardorosos, e acha uma
soluções divertidas para determinados conflitos.
A
principal sensação, no entanto, é a de que não há nada de novo. O diretor Colin
Trevorrow, conhecido por… bem, nada relevante, apresenta um filme correto, mas
não muito mais do que isso. Em vários momentos, há homenagens aos filmes
iniciais, com referências que fãs antigos não terão dificuldades de
identificar. O problema é que há algumas cenas, com tomadas de câmera
inclusive, que aparentam ultrapassar a mera referência a tomadas icônicas do
filme original.
Embora
abuse um pouco da boa vontade do espectador, com soluções forçadas para algumas
situações (um exemplo é a facilidade com que os sobrinhos de Claire resolvem
uma determinada dificuldade de transporte) e apresente personagens bastante
estereotipados (o que reforça a sensação de “mais do mesmo”), o Mundo
dos Dinossauros funciona como entretenimento na maior parte do tempo, e deve
ser bem sucedido nas bilheterias. Entretanto, em um ano em que tantas franquias
estão sendo e serão revisitadas, a retomada da saga spielberguiana dos
dinossauros parece estar ancorada demais ao passado.
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