SELMA – UMA LUTA PELA IGUALDADE
Gênero: Drama
Direção: Ava DuVernay
Roteiro: Paul Webb
Elenco: Alessandro Nivola, Andre Holland, Carmen Ejogo, Colman Domingo, Common, Corey Reynolds, Cuba Gooding Jr., David Dwyer, David Morizot, David Oyelowo, Dylan Baker, E. Roger Mitchell, Giovanni Ribisi, Haviland Stillwell, Kent Faulcon, Ledisi Young, Lorraine Toussaint, Martin Sheen, Niecy Nash, Omar J. Dorsey, Oprah Winfrey, Ruben Santiago-Hudson, Stephan James, Tessa Thompson, Tim Roth, Tom Wilkinson, Wendell Pierce
Produção: Christian Colson, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Oprah Winfrey
Fotografia: Bradford Young
Montador: Spencer Averick
Duração: 122 min.
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 05/02/2015 (Brasil)
Distribuidora: Paramount Pictures
Estúdio: Celador Films / Cloud Eight Films / Harpo Films / Pathé / Plan B Entertainment
Sinopse: Cinebiografia do pastor protestante e ativista social Martin Luther King, Jr (David Oyelowo). A história acompanha as marchas realizadas por  manifestantes pacifistas, em 1965, entre a cidade de Selma  até a capital do Alabama, Montgomery, em busca de direitos eleitorais iguais para a comunidade afro-americana.
Nota do Razão de Aspecto:
 
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Selma compõe o quarteto de cinebiografias
indicados ao Oscar de melhor filme em 2015, juntamente com Teoria de Tudo, O Jogo da Imitação e Sniper Americano, além de ser uma das duas
cinebiografias de conteúdo político, juntamente com o filme de Clint Eastwood.
Se o trabalho de Ava DuVernay é eficiente como biografia, triunfa como thriller político, ao levar ao público o
debate sobre o difícil contexto político dos EUA nos anos 1960, em meio à luta
da comunidade negra pelos direitos civis, especificamente pela igualdade do
direito de voto no sul dos Estados Unidos.
Como biografia, Selma obtém excelente resultado, ao
optar por concentrar-se em evento específico que se desenvolve em curto espaço
de tempo, em vez de tentar reconstituir todos os eventos fundamentais da vida
do Pastor Martin Luther King Jr. Dessa forma, evitaram-se grandes saltos
temporais e conseguiu-se desenvolver aprofundadamente a personalidade do
biografado, bem como dos personagens centrais daqueles eventos.
Na construção do personagem de Martin
Luther King Jr, Selma, mais uma vez, acerta, por evitar a
idealização da figura histórica. Em nenhum momento a narrativa se torna
estritamente apologética. Martin Luther King é levado ao público com suas
hesitações, suas dúvidas e suas imperfeições, porém, seus defeitos – considerados normais
para os seres humanos comuns, mas inaceitáveis para os mitos – jamais levam a
narrativa a usá-los como qualquer tipo de justificativa para a deslegitimação
das causas que defendia. Sem sombra de dúvidas, Martin Luther King foi o
personagem mais bem construído entre todas as cinebiografias indicadas ao
Oscar, com uma interpretação inesquecível de David Oyelowo.
Infelizmente, o ator sequer foi indicado ao Oscar de melhor ator – a mais
evidente e absurda injustiça cometida pela Academia em 2015.
Como thriller político, Selma é um verdadeiro triunfo, por
lograr combinar os diferentes elementos que caracterizavam aquele período
histórico de forma equilibrada: a violência contra os negros, a resistência, as
contingências políticas que atrasavam a ação do presidente Lyndon Johnson, os
embates internos no movimento negro, as motivações do governador do Alabama.
Ava DuVernay foi competente na forma de retratar o drama sem recorrer ao
melodrama, apenas retratando fatos reais em uma montagem ficcional que enfatiza
a dor e a humilhação daquelas pessoas, por meio de jogo de câmeras inteligente
e bem executado – a violência era real em 1965, e Selma a tornou real para os espectadores
nas salas de cinema, em 2015.
Atualmente, parece
completamente absurdo para muitos de nós que aquela violência fosse real. Cem
anos após a abolição da escravidão, os negros ainda eram tratados como animais
no sul dos Estados Unidos, mesmo que as autoridades estivessem agindo
tecnicamente contra a lei. Em 1965, para muitos estadunidenses, aquela
violência era irreal até o dia em que foi televisionada para setenta milhões de
espectadores.
 
Selma cumpre o importante papel
de ensinar às novas gerações como foram conquistados direitos que hoje estão
consagrados e lembrar às velhas gerações aquilo que foi, é, e continuará sendo
uma mancha vergonhosa, mas, ao mesmo tempo, um motivo de orgulho da sociedade
dos Estados Unidos, já que, por meio de muita luta e de muita resistência, os
racistas perderam mais uma batalha. Trata-se de um filme relevante e muito bem
realizado, que se junta aos grandes filmes de Hollywood sobre a questão dos
negros nos EUA – o melhor filme a respeito desse tema desde Mississipi em Chamas.
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