WHIPLASH – EM BUSCA DA PERFEIÇÃO
Gênero: Drama
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Damien Chazelle
Elenco: Adrian Burks, April Grace, Austin Stowell, C.J. Vana, Charlie Ian, Damon Gupton, J.K. Simmons, Jayson Blair, Jocelyn Ayanna, Kavita Patil, Kofi Siriboe, Melissa Benoist, Michael D. Cohen, Miles Teller, Nate Lang, Paul Reiser, Rogelio Douglas Jr., Tarik Lowe, Tian Wang, Tony Baker
Produção: David Lancaster, Helen Estabrook, Jason Blum, Michel Litvak
Fotografia: Sharone Meir
Montador: Tom Cross
Trilha Sonora: Justin Hurwitz
Duração: 106 min.
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 08/01/2015 (Brasil)
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Blumhouse Productions / Bold Films / Right of Way Films
Classificação: 14 anos
Sinopse: Um jovem músico luta para ser o melhor baterista de jazz de sua geração. Com o treinamento do renomado e impiedoso Terence Fletcher (JK Simons), o jovem acaba sofrendo sob a orientação do exigente professor, ultrapassando seus limites e tomando atitudes inimagináveis.
Nota do razão de Aspecto:

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Esperei muito tempo e com muita expectativa pelo lançamento de Whiplash no Brasil. Ao contrário do que comumente ocorre quando temos grandes expectativas que acabam frustradas, Whiplash não apenas correspondeu, mas também as superou de forma incontestável. Com roteiro muito bem elaborado, com direção competente e com atuações acima de qualquer parâmetro de comparação, Whiplash certamente é um dos melhores filmes de 2014 – que não consta do TOP 10 do Razão de Aspecto somente porque não havia sido lançado comercialmente, no Brasil, em 2014 – e pode constituir-se como um dos favoritos ao Oscar 2015.
Teoricamente, trata-se de um filme difícil de criar empatia com o público: o jazz não é um estilo musical popular nos tempos atuais, e o uso recorrente do jargão musical compromete o entendimento de muitos diálogos por parte do público leigo. Felizmente, a qualidade do roteiro torna essas dificuldades apenas teóricas, uma vez que são deixadas em segundo plano. Em Whiplash, a música é apenas um mote para aquilo que realmente move a historia: a ambição, a obstinação e a necessidade de reconhecimento. Dessa forma, a música é integrada de forma orgânica, pontuando a relação entre o maestro Terrence Fletcher (J. K Simmons) e o baterista Andrew Newman (Miles Teller).
Além disso, o roteiro supera a grande armadilha criada pelas histórias de mestres e pupilos de busca da vitória e da redenção final, superando todas as dificuldades e tornando o protagonista um herói simpático. Ao contrário, tanto Andrew Newman quanto Terrence Fletcher são personagens potencialmente antipáticos, aparentemente insensíveis e extremamente egoístas – mas essas falhas de caráter não comprometem, em nenhum momento, a empatia com o público. Se Andrew é totalmente egoísta e insensível em sua medíocre vida amorosa, também tem uma personalidade frágil e suscetível os abusos de seu mestre. Se Fletcher é agressivo, violento física e verbalmente e desrespeitoso, também é sensível às realizações de seus pupilos. Ambos são personagens contraditórios, portanto reais. A redenção de ambos é alcançada, mas não de forma previsível.
Sem nenhum dúvida, grande parte do êxito de Whiplash deve-se às atuações de J. K. Simmons – premiado com o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante pelo papel, no último domingo – e de Miles Tellor. A química entre os atores resultou em um conflito denso e profundamente verossímil, que faz o espectador refletir sobre quais são os limites da ambição e do sacrifício. Acredito que J. K. Simmons seja um dos favoritos à indicação e à vitória no Oscar como melhor ator coadjuvante. Miles Teller, apesar de ter-se demonstrado um ator de altíssimo nível, não terá condições de ganhar indicação, considerando os concorrentes que enfrenta. Saberemos se estou certo ou errado na próxima quinta-feira.
Por meio de uma edição dinâmica e rápida, utilizando cortes rápidos, em planos fechados, dos instrumentos  e do rosto dos músicos como forma de enfatizar suas emoções e suas dores físicas, Damien Chazelle faz o espectador sentir-se parte da banda e sobre o palco, experimentando todas as sensações de regozijo, vergonha, satisfação ou frustração.  Whiplash transforma-se, assim, em uma experiência sensorial.
Nada poderia ser mais apropriado que o nome escolhido para a produção. Além de ser o nome da música que exige de Andrew a perfeição, Whiplash (chibatada, em tradução livre do inglês) reflete de forma muito precisa o tipo de relação estabelecida entre Fletcher e seus pupilos, na qual não há espaço para condescendência ou mimo, mas, sim, somente para exigência de alto nível, disciplina absoluta e capacidade de sacrifício. Essa perfeição quase inatingível não poderia ser alcançada por meios tradicionais, mas somente por vias heterodoxas. Muito mais do que o sucesso e do que os objetivos cumpridos,  tudo o que importava a Andrew não eram os aplausos do público, mas, sim, um mero sorriso de reconhecimento da pessoa por quem desejava ser aceito. Whiplash é uma “chibatada” nos nossos valores sociais e nos nossos sentidos, portanto, é um filme memorável que se tornou um clássico instantâneo.

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