10 FILMES PARA AMADURECER E ENTENDER A VIDA COMO ELA É
O amadurecimento é um processo doloroso para todos os seres humanos. Aprendemos com as experiências (ou não), evoluímos com os fracassos, crescemos com as dificuldades e, algumas vezes também com as vitórias. Por outro lado, a vida não se resume às experiências de cada indivíduo. Muitos dos dilemas da vida podem ser conhecidos sem que tenham sido vividos, ao aprendermos (ou não) com as experiências alheias, ao sabermos (ou não) ouvir conselhos e ao assimilarmos aquilo que as diversas formas de arte podem nos ensinar por meio da representação dos dilemas humanos; incluindo o cinema – motivo da existência do Razão de Aspecto.
Não há dúvidas de que qualquer lista é arbitrária, porque nos obriga a excluirmos muitas outras obras merecedoras de citação, e subjetiva, porque reflete o que pensa aquele que a elabora. Também é verdade que se pode considerar o tema desta lista pretensioso, porém, não faz mal a ninguém compartilharmos ideias e experiências. Nem todo assistiram a todos os filmes, nem todos tiveram as mesmas experiências. 
Esta lista compõem-se de quatro filmes estadunidenses (filmes 1, 2, 3 e 7), dois filmes mexicanos (filmes 5 e 8), uma produção conjunta entre Alemanha / Dinamarca / França / Suécia (filme 4), um filme brasileiro (filme 6) , um filme coreano (filme 9) e um filme espanhol (filme 10), com quatro dos meus 5 diretores favoritos (Lars Von Trier, Woody Allen, Paul Thomas Anderson e Almodóvar), entre outros.

1- Magnolia
Dilema central: Redenção




Magnolia é um filme capaz de modificar definitivamente a visão de mundo de quem o assiste. Paul Thomas Anderson construiu narrativa de alta carga dramática sobre perdição e redenção, sobre solidão e solidariedade, sobre amor e traição, sobre a aleatoriedade da vida e sobre encontros e Perdas. Com grande elenco em grandes atuações, incluindo Tom Cruise, John C. Reily e Julianne Moore, entre outros, as histórias cruzadas pela Magnolia Avenue nos levam à catarse.





2- Ela
Dilema central: : Solidão 

Ela nos permite antever o caminho para o qual a revolução tecnológica, a crescente automatização das relações sociais associadas à solidão e, contraditoriamente, à necessidade de contato humano está levando a humanidade.. Spike Jonze conseguiu criar um universo de possibilidades muito verossímeis para o nosso futuro, mediante a representação do desenvolvimento do surgimento do amor, e do seu crescimento, do seu amadurecimento, da sua decadência, provocada pelo ciúme, e pelo seu fim. Tudo parece simples, se todo esse processo não se realizasse entre um ser humano em um sistema operacional de inteligência programado para atender a todas as necessidades de seu proprietário. Joaquim Phoenix realiza a melhor atuação de sua carreira no papel do solitário Theodore Tombley (superior, inclusive, à que foi indicada ao Oscar), e nos conduz nessa jornada de entendimento sobre a solidão, a descoberta e a perda.





3- Manhattan
Dilema central:  O que é o amor?

Bem-vindos à vida e aos relacionamentos adultos (ou nem tanto). Em Manhattan, Woody Allen, com a leveza que lhe é peculiar, trata dos caminhos tortuosos que nos levam a fazer escolhes que parecem certas, mas são desastrosas. Na NY dos anos 1970, filmada em preto e branco, podemos sentir o pulsar da cidade como personagem vivo que influencia e, de certa forma, determina as relações e os comportamentos dos personagens. 
O que define a felicidade: o modelo de relacionamento desejado ou a felicidade que sentimos, mas não reconhecemos, com aquilo que vivemos? Cada um de nós encontrará sua resposta neste que é, sem dúvidas, um dos três melhores filmes de toda a carreira do diretor.





4- Melancolia
Dilema central:  A vida não tem sentido.



Melancolia é o melhor filme da carreira do polêmico diretor Lars Von Trier. O filme não escapa aos temas centrais da obra do diretor: a maldade humana e a inexistência de Deus.  Neste filme, o tema é tratado de forma menos agressiva, porém ainda intensa, mediante a iminência do fim do mundo em decorrência do choque entre a Terra e um planeta que dá nome nome ao filme. Além disso, o filme conta com uma das cenas mais belas do cinema, com Kristen Durst ao luar como se fosse uma pintura, em vez de uma cena filmada. Incrível.
Onde estará Deus? Onde estará a fé? Quem se desesperará com o fim do mundo? Em Melancolia, a resposta é inesperada.





5- Amores Brutos
Dilema central:  Paixão



Poucos filmes retratam com tanta intensidade as consequências que alguns eventos aleatórios podem causar, ao cruzar os destinos de personagens tão distintos, quanto Amores Brutos, de Iñarritu. Paixão, fracasso, perda e redenção são os discutidos nesse grande filme, com grande atuação de Gael García Bernal.


6- Central do Brasil
Dilema central:  Relações Paternais



Relações paternas são um dos maiores dilemas das relações humanas. A presença, ou a existência, a ausência, ou a inexistência da figura paterna ensejam reflexões profundas. Em Central do Brasil, discute-se o tema de forma muito sensível, ao construir a relação fraternal entre os personagens principais. Não foi injustamente que Central do Brasil foi indicado ao Oscar, e também não foi sem razão que foi o filme que mais me fez chorar em toda a minha vida.


7- Pecados Íntimos
Dilema central:  Adultério e Culpa



Bem-vindos (ou nem tanto) ao mundo do adultério, dos casamentos fracassados, das fantasias semi-realizadas, dos desejos ocultos e da culpa. Pecados Íntimos é um filme forte e intenso sobre desejos que todos nós tivemos ou teremos, em contextos que todos nós já vivemos ou viveremos, mas que nem sempre realizamos. Os protagonistas os realizam e sofrem as consequências. Trata-se de um dos dilemas mais importantes da vida adulta, porque independe dos nossos princípios e daquilo que julgamos certo e errado. O acúmulo de frustrações combinado com a possibilidade de realização de uma desejo oculto pode levar qualquer ser humano a “pecar”.



8- Depois de Lúcia
Dilema central:  Abuso e violência

O sentimento de deslocamento, a solidão, a necessidade de aceitação, a passividade, a carência, a relação distante com o pais e e saudade que a protagonista sente da mãe enfrentam violência, a crueldade e o abuso constante sofrido dentro do seu novo círculo social. Depois de Lúcia, de Michel Franco, é um filme poderoso sobre a natureza humana. Perturbador, mas necessário, para entender como a fase de amadurecimento de um adolescente, se não bem acompanhada, pode ter consequências trágicas.



9- Old Boy
Dilema central: Vingança



A vingança é um prato que se come frio, caso contrário, você pode queimara língua. Old Boy (na versão original coreana, de 2004) é o melhor filme já feito sobre vingança, rancor, ressentimento e culpa. Além da profundidade do desenvolvimento do tema central, o filme inova na estrutura narrativa e imagética. Quem nunca teve vontade de se vingar que atire a primeira pedra.

10- A Pele que Habito
Dilema central:  Obsessão e loucura

Não poderia faltar um filme de Almodóvar em uma discussão sobre entender a vida como ela é. A Pele que Habito é um que trata da violência, do amor, da obsessão, da loucura, da transformação e, subsidiariamente, da vingança.  Trata-se de uma narrativa que, como todos os grandes filmes de Almodóvar, nos faz refletir sobre os limites sombrios da natureza humana.

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  • Dos filmes comentados, vi apenas Her, Manhattan, Melancolia, Central do Brasil e A pele que habito. Gostei dos breves comentários, mas tenho alguns enfoques diferentes. No caso de Her talvez eu não tenha tanta certeza sobre qual o "dilema central"; oscilo entre o que é o amor, o que é um relacionamento ou o que é um relacionamento razoavelmente simétrico… singularidade tecnológica e redenção, hehe… Curiosamente, não me parece que a solidão seja algo importante no filme, até porque Theodore me parece mais deprimido do que solitário (ou, dito de outro modo, ele é solitário como sintoma de sua depressão; não é triste por estar solitário). Como um filme sobre a singularidade tecnológica, é um filme fracassado, pois se resolve "magicamente", com a tecnologia ela mesma se retraindo ou afastando.

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