Meus melhores filmes: Episódio IV: a última esperança de um novo início do começo do reboot
Gabbeh (1996): talvez pelo fato de ter assistido ao filme sem
qualquer referência prévia, e/ou talvez pelo pouco costume com o cinema iraniano…
o fato é que este filme me encantou pela beleza poética de suas imagens. Nada
tão surpreendente na história em si, que fala de um amor proibido, da superação
de obstáculos e de sua incorruptibilidade, mesmo com o passar dos anos. O que vale,
aqui, é a lindíssima forma como a história é contada, tendo como principal
apoio narrativo a confecção de tapetes iranianos que dá título ao filme. Além
do que, é essencial flertarmos com sensibilidades não-hollywoodianas de vez em
quando.

Procura-se Amy (Chasing Amy, 1997) : quando começou sua carreira de
cineasta, em meados da década de 1990, Kevin Smith deu sinais de que poderia
ser o Woody Allen de sua geração. Seus primeiros filmes, em especial o
Balconista e Procura-se Amy, tinham um texto inteligente, que conseguia capturar
o espírito da juventude de então – em especial da turma quadrinista-nerd-de-guerra-nas-estrelas.
Desde então, a quantidade de porcarias cinematográficas nas quais se envolveu
acabou demonstrando que sua pena tinha pouca tinta. No auge, ele conseguiu
fazer um filme sensível e perspicaz sobre ruptura de conceitos-caixinha e o
amadurecimento da busca de uma pessoa supostamente ideal – a “Amy” de
cada um de nós (e ps: a cena de Joey Lauren Adams e Jason Lee comparando as
cicatrizes originadas no sexo é impagável).
Matrix (The Matrix, 1999): com tanta expectativa sobre o Episódio I
de Star Wars, o filme que roubou o ano de 1999 foi Matrix. Um filme para
definir uma época, pós-modernamente bebendo em diversas referências da cultura
pop, da cibercultura e do pós-humanismo. A estudada mistura da estética de filmes
de artes marciais, música eletrônica e discussão sobre a condição humana na era
da hiper-tecnologia. As duas continuações – embora menos desastrosas do que a
maioria das pessoas considera – prestaram um desserviço ao primeiro filme, que
continua, ainda assim, incontornável para entender os últimos suspiros do
século XX/primeiros do século XXI.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças (Eternal sunshine of the spotless
mind, 2004):
este filme já esteve mais firme na minha lista de identificações
secundárias mais intensas. De uns anos para cá, eu ando menos otimista com a
ideia de que vale a pena manter todas as memórias amorosas, mesmo as mais
doloridas – eu sei que tudo vale a pena e blá blá blá, mas deixa eu querer
esquecer. De toda forma, todo filme com a Kate Winslet vale a pena. Em meio a
livros, então, eu caso.

Eu comentei, no início da lista, que a ordem dos
filmes não importava. Isso é verdade, com a exceção do próximo título, que,
para mim, figura acima dos outros, e aquele que eu costumo ter na ponta da
língua quando me perguntam qual meu filme favorito…
Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin, 1987): esqueça a quase-heresia
cometida por Meg Ryan e Nicholas Cage uma década depois. “Asas do
Desejo” é de uma outra estirpe de filme. Uma declaração de amor à condição
de ser humano, em seus pequenos pensamentos do dia-a-dia. Possivelmente o único
filme que me causa uma sensação positiva sobre a humanidade. Impossível não se
apaixonar por Berlim, mesmo eu sendo um londrinófilo declarado. Bônus: Nick Cave cantando no filme. O que mais eu poderia querer?Sua continuação – “Tâo longe, tão
perto”, muito conhecida pela canção do U2, também é um bom filme, mas o
original é incomparável.

Recaptulando, ao final desta saga, eis os filmes que mais despertaram minha identificação secundária (e é bom que se ressalte que a lista revela muito mais sobre mim mesmo do que sobre a qualidade dos filmes):
Asas do Desejo
Sociedade dos Poetas Mortos
Excalibur
O Império contra-ataca
Highlander, o guerreiro imortal
Nunca te vi, sempre te amei
Rob Roy – a saga de uma paixão
The Commitments – Loucos pela fama
Dracula de Bram Stoker
Procura-se Amy
Gabbeh
Gattaca – a experiência genética
Shakespeare Apaixonado
Antes do amanhecer/por-do-sol/meia-noite
Matrix
Fim de caso
Alta fidelidade
Moulin Rouge: o amor em vermelho
Brilho eterno de uma mente sem lembranças
Meia-noite em Paris


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