O GRANDE HOTEL BUDAPESTE


Gênero: Drama

Direção: Wes Anderson

Roteiro: Hugo Guinness, Wes Anderson

Elenco: Adrien Brody,
Bill Murray, Bob Balaban, Carl Sprague, Edward Norton, F. Murray
Abrahams, Florian Lukas, Gabriel Rush, Harvey Keitel, Heike
Hanold-Lynch, Jason Schwartzman, Jeff Goldblum, Jude Law, Karl Markovics, Léa Seydoux, Mathieu Amalric, Matthias Matschke, Milton Welsh, Owen Wilson, Paul Schlase, Rainer Reiners, Ralph Fiennes, Saoirse Ronan, Tilda Swinton, Tom Wilkinson, Tony Revolori, Willem Dafoe

Produção: Jeremy Dawson, Scott Rudin, Steven M. Rales, Wes Anderson

Fotografia: Robert D. Yeoman

Montador: Barney Pilling

Trilha Sonora: Alexandre Desplat

Duração: 100 min.

Ano: 2014

País: Alemanha / Estados Unidos

Cor: Colorido

Estreia: 03/07/2014 (Brasil)

Estúdio: American Empirical Pictures / Indian Paintbrush / Scott Rudin Productions

Classificação: 14 anos

Sinopse:  Durante o período entre as duas guerras mundiais, um concierge de um
famoso hotel na Europa faz amizade com um jovem empregado.Ambos se
envolvem no roubo de uma pintura renascentista inestimável em meio às discussões sobre a herança de uma família, sob o pano de fundo das mudanças  na
Europa nos anos 1920.
Nota do Razão de Aspecto:

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Finalmente, conseguirei elaborar, de forma relativamente organizada, o conjunto de sensações, questionamentos, opiniões e emoções que me causaram este maravilhoso filme.  Não tenho medo de afirmar que  O Grande Hotel Budapeste é o
melhor filme de 2014 até o momento e que dificilmente será superado.
Temos um dos primeiros grandes candidatos ao Oscar 2015, possivelmente
para as categorias de melhor filme, melhor direção, melhor roteiro
original, melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor fotografia e
melhor direção de arte (entre outras possíveis indicações para categorias técnicas).
 O Grande Hotel Budapeste leva aos espectadores ao estranhamento, para, logo depois, levá-los ao encantamento com a história simples e cativante que os hipnotiza ao longo dos 100 min de projeção. O primeiro estranhamento provocado pelo filme é a escolha da razão de
aspecto (tela quadrada) correspondente àquela do cinema da década de 1930, época em que
se passa a história principal. Apesar do desconforto inicial, o formato
passa a fazer sentido nos primeiros minutos de projeção, quando já se
está ambientado ao mundo imaginado pelo diretor e nos sentimos hóspedes do Hotel.
A estrutura narrativa do roteiro fundamenta-se em um conjunto de histórias sobrepostas, com diferentes narradores intermediando os fatos: uma criança inicia a leitura de um livro, o narrador do livro começa a contar uma história para o leitor, e a narrativa é transferida para a persona do escritor quando jovem, ouvindo, finalmente, a história contada por quem a vivenciou. A estrutura de “uma história, dentro de uma história, dentro de outra história”, não dificulta, em nenhuma medida, a compreensão do espectador. Ao contrário, contribui para instigá-lo a envolver-se com os personagens- mérito indiscutível do roteiro de Hugo Guinness e do diretor do longa metragem, Wes Anderson.

Ralph Fienes, como Mr. Gustaf, realiza interpretação
excelente, representando uma visão de mundo romântica, idealista e
ingênua em meio ao contexto de turbulências políticas e sociais da
Europa dos anos 1930 . No papel de mentor de Zero Moustafa quando jovem – interpretado de forma inspirada por Tony Revolori -, Mr. Gustaf encanta a
todos que o conhecem ao longo da projeção.  Adrien Brody e Wiiliam Dafoe também têm participação
destacada no papel dos caricatos e, ao mesmo tempo, assustadores vilões.

Wes Anderson atinge o ápice do seu estilo cinematográfico, com seus planos simétricos, com o excesso de cores vivas, com a direção de interpretações aparentemente exageradas à primeira vista, mas que integram a harmonia do conjunto de escolhas técnicas e narrativas que tornam O Grande Hotel Budapeste uma experiência visual singular.
Todo o conjunto de O Grande Hotel Budapeste converge para o que se pode definir como ” tom fabulesco” da narrativa.  No filme, Wes Anderson, por meio da direção de arte, da fotografia, da escolha dos planos e das interpretações, retratou a história como a imaginaríamos- sim, o tempo verbal está correto-, porque se trata de como cada um de nós imaginaria a história quando éramos crianças. O que torna esse recurso ainda mais eficiente é o fato de que há total coerência com a estrutura narrativa, porque, ao entrarmos no mundo imaginário e imaginado de O Grande Hotel Budapeste, somos a criança que dá início à história, a leitora final daquilo que é contado pelos diversos narradores, portanto, somos personagens do filme.
Wes Anderson realizou seu melhor trabalho, em uma evolução (não surpreendente) em relação ao seu excelente Moonrise Kingdon. A ousadia do diretor levou a um resultado indiscutivelmente impressionante, tão impressionante quando aquilo que a imaginação pode nos proporcionar, ao mesclar a nostalgia de um adulto com a imaginação de uma criança.

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