Segundamente
Segundamente
Em
teoria cinematográfica, um dos principais conceitos diz respeito à identificação.
A ideia tem origens na psicanálise freudiana, mas suas origens e
desenvolvimento não serão o foco (pun intended)
no momento. Simplificando bastante, basta sabermos que a identificação
primária do espectador com o filme é aquela que o possibilita ser testemunha da
obra cinematográfica – em última instância, coincide com a câmera, que
funcionará como nossos olhos, os olhos do público. Já a identificação
secundária é aquela que nos faz estabelecer um conexão íntima e pessoal com elementos
da obra – um personagem, um evento do roteiro, uma situação ficcional
que provoque uma emoção especialmente conhecida.
           
Uma
obra cinematográfica que provoque uma identificação secundária próxima da
universal pode ser encarada como uma obra-prima, que conseguiu alcançar o âmago
da experiência humana… ou, por outro lado, pode apenas ter optado pelo óbvio e
o raso, por aquela reação momentânea e superficial que esqueceremos logo após a exibição
do filme. Sempre será preciso uma análise de outros elementos da obra, que não
apenas a identificação secundária provocada, para qualificá-la esteticamente.
Em
grande medida, é sobre sua idenficação secundária com os filmes de Woody
Allen que o Maurício se refere ao falar de seu unierso afetivo neste post.
Desconfio que o Razão de Aspecto terá um forte viés em direção a
essas experiências personalíssimas com o cinema, sem, entretanto, deixar-se
perder no simples “eu gosto/eu não gosto”. A honestidade virá em se
tentar sempre compartilhar com o leitor a origem de certas predileções
pessoais, e se agregar argumentos menos subjetivos ao comentar sobre um filme
ou série.
Tudo
isso para explicar um outro comentário feito pelo Maurício, desta vez em nossa
página do Facebook (www.facebook.com/razaodeaspecto),
que – se você for bem legal, já curtiu ou vai lá curtir:  o fato de que o Razão de Aspecto não
tem pretensão de se dedicar a todos os lançamentos, ou resenhar o mais
esperado. Para isso, existem páginas maiores e melhores que as nossas (a do tio
Villaça entre elas).

No
próximo texto, apresentarei algumas das minhas predileções cinematográficas, para que os
vetores que influenciam minhas identificações secundárias fiquem mais transparentes.
Depois do intervalo não-comercial.

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