WOODY ALLEN E MEU UNIVERSO AFETIVO – DEZ FILMES FAVORITOS

Lista Atualizada em 27/08/2016

Como primeira contribuição para Razão de Aspecto, decidi não tratar de um filme. Preferi discutir a obra de um diretor que contribuiu, e ainda contribui, sobremaneira para a minha formação com cinéfilo e como ser humano dotado de um telencéfalo altamente desenvolvido e um polegar opositor.

Possivelmente, daqui a um, cinco ou dez anos, minhas impressões serão diferentes, minhas conclusões serão outras e a lista de dez filmes favoritos tenha-se alterado. Cada fase da vida me remete a um filme diferente de Woody Allen, e as minhas preferências variam de acordo com aquilo que estou vivendo. Minha lista de filmes favoritos já foi muito diferente. Por essa razão, meu texto não deve ser tomado como definitivo.
Os filmes de Woody Allen compõem meu universo afetivo, de forma a representarem e, em alguns casos, definirem, características importantes da minha personalidade. Minha relação com o universo cinematográfico do diretor é completamente emocional, o que me impede de afirmar que qualquer um de seus filmes possam ser considerados ruins. Há apenas os excelentes, os bons e os razoáveis. Não considero que avaliar emocionalmente seja um equívoco, afinal, o que de melhor a arte pode fazer pelo ser humano do que emocionar?
Da profundidade dos dramas à leveza das comédias, os filmes de Woody Allen sempre são envolventes. Nas histórias mais triviais, sempre há diálogos que refletem a capacidade de questionarmos nossos e atos de rirmos de nós mesmos diante da aparentemente óbvia perturbação refletida na tela grande do do cinema, que não parece tão óbvia quando o filme é a vida real e nós somos personagens. Nos dramas mais profundos, deparamos com a representação dos nossos maiores medos e dos nossos maiores erros, que se repetem a cada nova de geração, a cada nova relação e a cada história que vivemos, ainda que seja vivida apenas no mundo imaginário.
Cada personagem de Woody Allen representa um de nós, e cada um de nós representa vários de seus personagens em todas as suas qualidades, contradições, falhas de caráter, neuroses e medos, seja em Nova Iorque, seja em Paris, seja em Londres, seja em qualquer cenário escolhido para compor mais uma história que todos nós vivemos ou gostaríamos de ter vivido. Nos desencontros amorosos de Annie Hall e Manhattan, nos diálogos ácidos e tragicômicos de Igual a tudo na Vida e Dirigindo no Escuro,  na culpa dos protagonistas em Crimes e Pecados e Ponto Final, no escapismo dos personagens em A Rosa Púrpura do Cairo. na alegria do reencontro em Trapaceiros, na surpreendente leveza de Vicky, Cristina, Barcelona, na loucura de Blue Jasmine e na nostalgia de Meia Noite em Paris, cada personagem de Woody Allen é um heterônimo que representa algumas das facetas da personalidade de cada um de nós.
Woody Allen é um gênio, não apenas por sua “grande contribuição à sétima arte”, mas também, e principalmente, por sua capacidade de representar aquilo que todos nós somos e vivemos ou, ainda mais importante, aquilo que gostaríamos de ser e de viver.
Antes de publicar minha lista de dez filmes favoritos do diretor, pergunto: quem não gostaria de viver em um filme de Woody Allen? Temos de ter cuidado para não imaginarmos o roteiro de Meia Noite em Paris e acabarmos vivendo em Crimes e Pecados ou Ponto Final.

 

1- Meia Noite em Paris
 
 


2- Manhattan
 
 
3- Annie Hall
 
 
4- Matchpoint
 
 
5- Vicky, Cristina, Barcelona
 

6- A Rosa Púrpura do Cairo
 
 
7- Hannah e suas Irmãs
 
 
8- Trapaceiros
 
 
9- Blue Jasmine
 
 
10- Crimes e Pecados.
 
 
 
  • O momento em que vimos cada filme também tem um papel importante na importância afetiva dos tais filmes. Por exemplo, Crimes e Pecados me marcou mais por ter sido o primeiro de uma série moralista de Allen (tiros na broadway, "ponto final" – acho que nunca lera tal tradução – e sonho de cassandra), mas não necessariamente é o melhor… acho que, friamente, prefiro "ponto final"… mas quente ou mornamente, prefiro crimes e pecados, mesmo.

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